"Alemão continua um paraíso", diz novo general da Pacificação

Comandante que assume nesta segunda-feira minimiza grande aumento no número de hostilidades contra a tropa nos últimos dois meses

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O general Carlos Sarmento, novo comandante da Força de Pacificação dos complexos do Alemão e da Penha, afirmou nesta segunda-feira (9), ao assumir a missão, que o "Alemão continua um paraíso, até com vista aérea, o teleférico". A afirmação foi feita em resposta a pergunta do iG, que o questionou sobre declaração dada por ele em agosto de 2011, na outra vez que comandou a área. Na ocasião, ele disse que o Alemão estava um "paraíso".

Leia também: Para general, Alemão é mais violento e complexo que Haiti em 2007

Divulgação/Polícia Civil
General Carlos Sarmento ao lado da chefe da Polícia Civil do Rio, Martha Rocha
Desde fevereiro, porém, a tropa do Exército tem sofrido constantes ataques, inclusive a tiros, de traficantes remanescentes da região. Em entrevista ao iG, o general Tomás, substituído nesta segunda, declarou que a missão no Alemão e na Penha foi mais violenta e complexa que sua experiência no Haiti , em 2007.

Na ocasião, seu contingente foi o primeiro a não ser alvejado pelas gangues, que perderam o controle do território para os capacetes azuis da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti). O oficial foi subcomandante do Batalhão Brasileiro (Brabatt) no Haiti.

"Não posso dizer pelo tempo em que não estive aqui. Passei o comando em agosto de 2011. Naquele momento, realmente, eu disse que o Alemão estava um paraíso. Agora, pelas informações que eu tenho, o Alemão continua um paraíso, e agora até com vista aérea", brincou, fazendo referência ao teleférico instalado na área, com seis estações.

O general Sarmento reassume a Força em um momento de tensão, com aumento das hostilidades ao Exército e o princípio da substituição dos militares por tropas da PM, que implantarão UPPs na área.
Ele prometeu manter o intenso patrulhamento de becos e vielas, considerado um dos responsáveis pela intensificação das hostilidades. "O modus operandi será o mesmo, com o foco na população. O patrulhamento nos becos continua", disse Sarmento.

Em seu discurso de despedida, o general Tomás afirmou que a atuação nos complexos é a "missão mais importante do Exército em território nacional" e que a pacificação é um caminho sem volta.

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