Santa Fé, a cidade que vive para fotografias

Por Renan Truffi - iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Considerada a capital da fotografia, município produz 75 mil retratos por dia, quase duas milhões de fotos por mês

Johnny Negrini/O Diário.com
Santa Fé, a capital da fotografia

Quem já completou o ensino fundamental, médio ou até a graduação e encomendou um daqueles álbuns com fotografias de formatura provavelmente teve suas fotos impressas em uma cidadezinha do interior do Paraná. Localizada a 460 quilômetros de Curitiba, Santa Fé concentra pelo menos 50 empresas especializadas em formaturas e, por isso, ganhou o título de capital da fotografia.

Conheça a nova home do Último Segundo

Para se ter uma ideia, a cidade produz 75 mil fotografias por dia, cerca de 1 milhão e 700 mil fotos por mês. Entre os mais de 10 mil habitantes que vivem na cidade, 15% deles trabalham diretamente com foto, seja na impressão, no setor administrativo ou até mesmo como fotógrafo profissional. 

A explicação é que as empresas instaladas na cidade atendem clientes de quase todos os Estados. Um dos únicos lugares que ainda não tem filial de uma empresa de formatura de Santa Fé é o Acre, segundo Vanderlei Kello, o primeiro a abrir uma empresa de fotografia no município.

Famosa, Cidade de Deus ganha projeto sustentável de universidade suíça

Berço do Bolsa Família, cidade de Itinga ainda caminha para espantar a miséria

Nascido na cidade, Kello começou a fotografar aos 13 anos, nos finais de semana, quando ia para as fazendas da região para vender monóculos fotográficos, aquelas peças de plástico colorido que trazem fotografia dentro. Os clientes eram as famílias da zona rural do Paraná e o empresário pegou gostou pela fotografia.

Na década de 1980, ele abriu então uma pequena empresa que oferecia todos os serviços de fotografia na cidade, como impressão, batizado e aniversário. Mas foi em 1985 que ele começou a fazer festa de formatura e descobriu um mercado em potencial. “Comecei a ver um negócio muito bom. Fiz também em cidades vizinhas e passei a focar mais em formatura”, explica o dono da Kello Formaturas.

A proliferação de empresas aconteceu quando Vanderlei Kello percebeu que o negócio de festas de formatura ainda era pouco explorado na região. Isso dificultava, inclusive, o trabalho dele que não tinha como terceirizar alguns serviços. “Na década de 1990, eu estava bem focado em formatura, foi quando incentivei funcionários antigos a montarem suas empresas. Comecei a influenciar até os parentes”, contou.

Uma das ex-funcionárias da Kello é hoje a presidente da Associação de Empresas de Formatura do Estado do Paraná, Edilene Arias, de 45 anos. Ela conta que o grupo nasceu justamente na época em que muitos empregados começaram a montar suas próprias empresas de formatura. O negócio mudou inclusive a cara da cidade. “Tem muito fotógrafo aqui, vendedores, empresas que prestam serviço. Cada quadra da cidade você vê uma empresa de fotografia”, conta.

Em 2011, o município ganhou até um portal em homenagem ao título de capital da fotografia. A obra foi projetada e construída pelo artista plástico Luiz Antonio Gagliastri, escultor brasileiro homenageado com a medalha de ouro da Academia Francesa de Artes, Ciências e Letras. De um dos lados da estrada há uma máquina fotográfica, que faz alusão às empresas.

Leia tudo sobre: Santa Fécapital da fotografiaParanáfotofotógrafos

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas