Médica acusada de praticar eutanásia é indiciada por homicídio qualificado

Por Agência Estado |

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Chefe da UTI do Hospital Evangélico, no Paraná, é suspeita de comandar um esquema de eutanásia em pacientes do SUS. "Se era particular, ela tentava salvar", diz funcionário

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A médica Virgínia Soares, que coordenava a UTI do Hospital Evangélico, em Curitiba (PR), foi indiciada, na quarta-feira (20), por homicídio qualificado. Ela é suspeita de comandar um esquema de eutanásia na UTI do hospital, onde foi detida, na terça-feira (19), por policiais do Núcleo de Repressão de Crimes Contra a Saúde (Nucrisa).

A prisão: Polícia prende médica em operação que investiga prática de eutanásia no Paraná

Henry Milléo/Gazeta do Povo/Futura Press
Virginia Helena Soares de Souza, médica chefe da UTI do hospital Evangélico, é presa por policiais nesta terça-feira

A polícia investigava Virgínia havia um ano, mas admite que vai analisar as mortes na unidade dos últimos sete anos. A médica atua no hospital desde 1988 e chefia a UTI desde 2006. A delegada Paula Brisola afirmou que a médica provavelmente não agiu sozinha. "Outros funcionários também estão sendo ouvidos e sob investigação", disse.

A denúncia que culminou com a prisão de Virgínia teve início no ano passado, conforme a queixa de uma pessoa que conhecia o trâmite na UTI. "A pessoa entrou em contato com a Ouvidoria, que nos repassou a denúncia e iniciamos a investigação."

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Uma profissional que atuava com Virgínia na UTI, e preferiu não se identificar, disse que era hábito da médica tratar com desdém alguns pacientes. "Quase todo dia havia uma parada cardíaca e ela gritava ‘Spp’ (sigla utilizada em UTIs que significa "se parar, parou!"), então, as enfermeiras saíam fora e deixavam o paciente. Isso quando era SUS; se era particular ou convênio aí tentavam salvar", disse.

Embora a investigação ocorra sob sigilo, a RPC TV, afiliada da Rede Globo, divulgou trechos do depoimento da médica à polícia. Nele, Virgínia afirma que foi mal interpretada por falas como "Quero desentulhar a UTI que está me dando coceira", ditas numa gravação cuja origem não foi informada pela polícia. Já um enfermeiro que trabalhou com Virgínia entre 2004 e 2006 disse que viu a médica desligar aparelhos.

O advogado da médica, Elias Mattar Assad, criticou a condução da investigação. "Pelo que está se delineando, agora, de homicídio qualificado, não vai se ter um defunto ou um laudo por outra causa de morte que não seja a que não está no laudo. Não há como provar outra coisa." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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