'Não somos galos em rinha', diz governador em direito de resposta

Simão Jatene (PSDB) critica propaganda separatista e classifica ligação da imagem dele com pobreza do Estado como mentirosa e injusta

Wilson Lima, iG Maranhão |

Em direito de resposta concedido pela Justiça Eleitoral do Pará contra a propaganda do “Sim”, o governador do Pará, Simão Jatene (PSDB), criticou o publicitário Duda Mendonça afirmando que “vendedores de ilusões” não podem “destratar nossa gente como galos numa rinha”. Duda Mendonça já foi preso em flagrante pela PF, em um sítio no Rio de Janeiro, em outubro de 2004, quando participava de uma rinha de galo. A atividade, considerada crime ambiental, é um hobby declarado do publicitário.

Dê sua opinião: O que acha da divisão do Pará?

Durante o final de semana, o juiz eleitoral Marco Antônio Lobo Castelo Branco, concedeu a Jatene direito de resposta de 20 minutos no horário do rádio e dez minutos na TV após o governador ser apontado como “o principal responsável” pela pobreza do Pará. Os separatistas também afirmaram que o tucano apoiou a implementação da Lei Kandir, que isentou de pagamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) os produtos e serviços destinados à exportação. As frentes do “Sim” já ingressaram com recurso pedindo a suspensão do direito de resposta.

A campanha:

- Campanha para o plebiscito no Pará entra na reta final

- Governador do Pará diz que plebiscito cria ressentimento e mágoa

- Movimento pede boicote a deputados que pregam divisão do Pará

- Tacacá e Belém são estrelas do início da campanha do plebiscito

- Receita dos municípios vira alvo de disputa em campanha

- Exército vai reforçar segurança durante plebiscito


Em seu pronunciamento, Jatene afirmou que os programas do “Sim” agrediram o povo do Pará e “não tinham compromisso com a verdade”. “Jamais vou permitir que destruam a nossa autoestima, colocando em risco a unidade de um povo e a convivência fraterna depois da votação. Não aceito que se chame o paraense de covarde. Covarde que precisa apanhar no rosto para reagir. Podemos ser pacíficos, covardes nunca”, disse. 

A referência era em relação a uma peça do “Sim” em que paraenses apanhavam na TV como forma de crítica aos indicadores sociais negativos do Estado, divulgados há duas semanas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Não aceito que vendedores de ilusões, sem identidade com o Pará, imaginem que a sua influência o autoriza a destratar nossa gente como galos numa rinha”, seguiu o governador.

Reprodução
Plebiscito será realizado no próximo dia 11 de dezembro

Jatene também classificou como “mentirosa” e “injusta” a afirmação de que ele era o responsável pela pobreza no Pará e de “oportunista” a discussão sobre a Lei Kandir. “A afirmação de que nós somos responsáveis pela pobreza além de injusta, é mentirosa. É injusta porque esconde as obras e ações que, no primeiro governo, fizemos juntos. E mentirosa porque quer que os paraenses acreditem que, principalmente na saúde, o interior foi esquecido. Os cinco hospitais regionais que construímos, desmentem isso”, pontuou.

“Em mais de 40 anos de serviço público, sei das travas que temos para superar a pobreza e a desigualdade. Exemplo gritante é a falta de compensação das perdas decorrentes da Lei Kandir. Tema que aparece agora de forma mentirosa e oportunista. Mudar essa lei sempre foi uma de nossas lutas”, declarou.

No final do direito de resposta, o governador prega a união em todo o Estado, independentemente do resultado. “Se o ‘Não’ for vitorioso, teremos que fortalecer o que nos une, buscar juntos soluções que aproximem mais as regiões com novas formas de gestão territorial. Se for o contrário, precisamos também estar juntos. Juntos para garantir a governabilidade do Pará como um todo. Já que ninguém sabe que tempo levaria a efetiva implantação dos novos Estados”, finalizou.

    Leia tudo sobre: plebiscito parádivisão do estado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG