Manifestação contra o machismo e o estupro reúne 5 mil na Avenida Paulista

Por Estadão Conteúdo |

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Participantes do ato convocado após estupro coletivo no Rio também atacam Temer e criticam secretária das Mulheres

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Mulheres e apoiadores de grupos feministas se concentraram na tarde desta quarta-feira no Masp
Dario Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo - 1.6.16
Mulheres e apoiadores de grupos feministas se concentraram na tarde desta quarta-feira no Masp

Munidas de cartazes contra o machismo e contra a violência sexual, cerca de 5 mil pessoas, segundo os organizadores, protestam nesta quarta-feira (1º) na Avenida Paulista, na região central de São Paulo. O ato foi convocado após o estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro na semana passada. A Polícia Militar não quis divulgar estimativa de público.

Logo na linha de frente do ato, manifestantes fizeram um cordão de isolamento para mulheres com bebês e crianças, presentes em grande número no evento. "Fui vítima de abuso sexual na infância e na idade adulta e quero que meu filho veja a mãe lutar contra esse abuso. Acho que essa participação dele desde cedo vai fazer com que ele crie empatia pelo que passamos", diz a educadora Natasha Orestes, de 30 anos, que foi ao ato com o filho Théo, de três anos.

"Mexeu com uma, mexeu com todas" e "pelo fim da cultura do estupro" são algumas das frases defendidas pelas mulheres em cartazes e gritos durante o ato. O grupo saiu do vão livre do Masp às 17h40 e segue em passeata para a Praça Roosevelt.

A estimativa inicial era de que o percurso fosse feito pela Rua da Consolação, mas com o confronto ocorrido mais cedo entre PMs e integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) na região, o trajeto foi transferido para a Rua Augusta.

O presidente em exercício, Michel Temer, também é alvo do protesto com cartazes que o chamam de "golpista, machista e fascista". Recebe crítica ainda a nomeação de Fátima Pelaes para a Secretaria das Mulheres da gestão PMDB. Religiosa, ela se declarou contrária ao aborto até em casos de estupro.

"É no mínimo contraditório o governo nomear para um órgão tão importante uma pessoa que não considera todas as opiniões sobre o tema, já se mostra fechada ao diálogo ao omitir essa posição e fecha os olhos também para um problema que é de saúde pública", diz a relações públicas Carolina Araújo, de 25 anos.

Autor de projeto que dificulta o aborto em casos de violência sexual, o deputado Eduardo Cunha também foi lembrado no protesto das manifestantes.

Mesmo com a presença majoritária de crianças e mulheres no ato, a PM levou policiais munidos de escudo e bombas de gás. Questionado pela reportagem, o aspirante a oficial responsável pela operação, que não se identificou, disse que não pretendia usar os artefatos.

Rio
Cerca de mil pessoas – mulheres, em sua maioria –reúnem ao redor da Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, desde as 16h30 desta quarta-feira para denunciar a violência contra a mulher no Brasil e cobrar providências do poder público.

O ato também reagiu a escolha de Fátima Pelaes para a Secretária das Mulheres. “Essa escolha indica mais um retrocesso do governo federal. Dilma já encaminhava muito pouca verba para essa secretaria, e agora a situação deve piorar”, avalia a universitária Mariana Nolte, de 24 anos. Líder do coletivo “Juventude Vamos à Luta”, ela é uma das organizadoras do ato.

Ao longo do ato, representantes de entidades da sociedade civil fizeram discursos contra o machismo e a falta de programas de combate à violência contra a mulher. O grupo planejava seguir em passeata pela Avenida Presidente Vargas rumo à Central do Brasil.

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