Vaia a Dilma na abertura da Copa das Confederações nacionalizou protestos

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Para especialistas, o evento transmitido para todo o mundo chamou a atenção não apenas dos brasileiros mas da imprensa internacional; “2014 tem mais”

As manifestações que se espalhavam timidamente pelo Brasil no início de junho ganharam proporções nacionais e adesão do povo depois da vaia sofrida pela presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações, no dia 15. Para especialistas ouvidos pelo iG, o evento transmitido para milhões de pessoas em todo o mundo chamou a atenção não apenas dos brasileiros mas da imprensa internacional, que já havia criticado a ação da Polícia Militar contra manifestantes que tomaram as ruas de São Paulo dois dias antes.

Hoje: Dilma fará pronunciamento à nação

Ontem: 1 milhão de pessoas vão às ruas e vandalismo se espalha pelo País

Ueslei Marcelino/Reuters
Dilma Rousseff e Joseph Blatter foram vaiados na solenidade que abriu a Copa das Confederações

Até o momento em que a presidente tomou o microfone para declarar aberta oficialmente a competição, a opinião pública se dividia entre os jovens liderados pelo Movimento Passe Livre e a ação da polícia, que justificava a repressão dos protestos ao vandalismo praticado por um grupo de punks.

“O que desencadeou a comoção foi a vaia sofrida por Dilma na televisão. Se você quer fazer com que uma pessoa tome partido sobre algo, coloque o assunto na abertura de algum evento internacional de futebol no Brasil com a presidente se pronunciando”, avalia o cientista político e reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRJ), Francisco Ferraz.

“A massa já estava contrariada com a força desmedida da PM sobre a manifestação em São Paulo”, lembra David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB). Naquele momento, as passeatas em São Paulo, Rio, Goiânia e Natal ganhavam o apoio da comunidade brasileira em 50 países, que programavam para a semana seguinte seus próprios protestos.

Fleisher acredita que o MPL se retirou estrategicamente de cena na quinta-feira (20), quando rejeitou os rumos tomados pela passeata em comemoração pela queda da tarifa em São Paulo. “Dia 30 será o último jogo da Copa das Confederações e o mundo não vai mais prestar atenção ao Brasil”, disse ele. “Mas acredito que os protestos vão ressurgir com mais força no dia 12 de junho do ano que vem.”

Carol Martins
Manifestação que começou por tarifa de ônibus recebeu outras causas

Nessa data, a Copa do Mundo será aberta oficialmente. “Às vésperas das eleições presidenciais. Um prato cheio”, diz ele.

Para o professor da UFRJ, “uma mega manifestação é o exato contraponto à mega passividade com que a população sempre se comportou diante da corrupção”. “São dois extremos que se completam.”

Para os cientistas, as vaias à presidente Dilma uniram o País em torno de uma causa que na verdade era municipal, de atribuição do prefeito. Nas manifestações originais em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) – responsável pela política de preço do ônibus – e o governador Geraldo Alckmin, chefe da Polícia Militar, eram os únicos mencionados nos gritos de protesto. Dilma só foi lembrada na manifestação do dia 17, quando 250 mil pessoas saíram pelas ruas já com bandeiras nacionais, que passaram a acompanhar a única bandeira defendida oficialmente pelo MPL: a redução da tarifa de ônibus.

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