Investigações e solicitações de novos passaportes devem parar. Policiais também planejam realizar operações-padrão nas fronteiras e aeroportos brasileiros

Os policiais federais iniciam nesta terça-feira (07) uma paralisação por tempo indeterminado. A greve foi decidida na última quarta-feira (1) pelo conselho de representantes da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e confirmada pelos sindicatos estaduais. Os agentes reivindicam do governo a reestruturação da carreira, a discussão de novas políticas salariais e a troca do atual diretor-geral da Polícia Federal (PF), Leandro Daiello Coimbra.

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Protesto de policiais federais, no último mês, em Brasília
Divulgação
Protesto de policiais federais, no último mês, em Brasília

Segundo o sindicato, os serviços que serão paralisados e as manifestações serão decididas pelas seções estaduais da Fenapef. Em geral, a deflagração da greve irá interromper todas as investigações em curso no órgão, que se limitará a manter serviços básicos como a guarda de presos e os plantões nas delegacias. Também devem ser interrompidas as emissões de passaporte, salvo casos de emergência. Estão programadas também operações-padrão nas fronteiras e aeroportos pelo País.

Em São Paulo, às 9h desta terça-feira, haverá um ato simbólico de entrega das armas e distintivos na sede da Polícia Federal, na Lapa. Às 14h, um ato público em conjunto com a Aanvisa e Receita Federal será realizado no aeroporto de Guarulhos. Na quinta-feira, haverá operação-padrão neste aeroporto.

O sindicato aprovou o indicativo de greve na última quarta-feira. Segundo o presidente da Fenapef, Marcos Wink, o atual diretor geral da PF não consegue gerir adequadamente a instituição. “Há disputas internas na PF e o diretor não é competente para administrar [essas disputas]. Queremos alguém de fora da PF que seja gestor, que saiba apaziguar as disputas”, declarou.

Até esta segunda-feira, os sindicatos estaduais votaram como devem ser as manifestações. Segundo Wink, os Estados têm essa autonomia por causa da particularidade de cada um. “Em São Paulo e Rio de Janeiro, temos dois grandes aeroportos, então pode haver operação-padrão na alfândega. Em Brasília, pode afetar a emissão de passaportes. No Amazonas, no Rio Grande do Sul, a fiscalização das fronteiras pode ser prejudicada”, afirmou.

Investigações especiais como a Operação Monte Carlo, que prendeu o empresário goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira , também podem ser afetadas. O presidente da Fenapef ressaltou que a paralisação de investigações importantes será analisado caso a caso.

Segundo o sindicalista, a intenção dos agentes da PF é não prejudicar a segurança do país, de maneira a manter a confiança da população. A categoria reivindica reestruturação salarial e da carreira dos agentes, escrivães e papiloscopistas. O salário inicial desses três cargos é R$ 7,5 mil, o equivalente a 56,2% da remuneração dos delegados, cujo vencimento de início de carreira é R$ 13,4 mil. O Ministério do Planejamento informou que as negociações com as categorias em greve estão abertas.

* Com Agência Brasil

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