
Daniella Marques, coordenadora do programa econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, disse em entrevista à CBN Bahia que pretende criar uma regra de transição para beneficiários do Bolsa Família caso o Zero Um seja eleito no próximo domingo (25).
A porta de saída é quase uma intimação. Se, em dois anos, a pessoa se recusar a aceitar qualquer emprego ou criar a sua empresa, ela perde o benefício.
“Vai ter regra de transição de dois anos (no Bolsa Família) para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, afirmou Marques.
Hoje o Bolsa Família possui um mecanismo para evitar que famílias percam imediatamente o benefício quando ganham uma grana a mais. É a chamada regra de proteção, pela qual famílias que ultrapassam o limite de R$ 218 mensais por pessoa podem continuar recebendo parte do auxílio, desde que a renda individual não supere R$ 706. Nesses casos, o pagamento é reduzido para 50% do valor anteriormente recebido e pode ser mantido por até 18 meses.
O objetivo é justamente permitir uma transição gradual para famílias que conseguem emprego ou aumentam seus rendimentos.
O que Marques propõe é que o beneficiário aceite em algum momento da transição trabalhos mal remunerados para não correr o risco de ficar sem nada. O nome disso é terrorismo econômico.
A declaração alastrou um incêndio na campanha de Flávio, que correu para desmentir o que chamou de boato. Não era. Era a coordenadora da campanha dele detalhando política pública de um governo que sequer existe.
Flávio já disse coisas piores sobre o benefício, uma das molas que tirou parte dos brasileiros do mapa da fome e impulsionou a roda da economia pelo país. “3% da população tem ensino superior, 30 milhões recebem bolsa-família, 80% dos eleitores votam em troca de alguma coisa”, escreveu no Twitter o então deputado estadual do Rio em março de 2010. “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente”, lamentou, em outra postagem no mesmo ano.
Dezesseis anos depois, Flávio vestiu a fantasia de candidato e omitiu a aversão aos grupos mais vulneráveis – os que dependem de “esmola”, segundo ele – para ganhar votos e chegar à Presidência. Mas a equipe que escolheu a dedo não disfarça tão bem.
Com a derrapada, Daniella passa a liderar o Prêmio Carla Zambelli de 2026, uma homenagem à deputada que na última eleição decidiu perseguir armada um eleitor de Lula (PT) pelas ruas e afugentou os eleitores que estavam começando a perder o medo da virulência da turma. E olha que a concorrência neste ano é grande.