
Flávio Bolsonaro (PL) passou a semana em uma saia justa. Diante da derrota iminente na votação pelo fim da escala 6 por 1 , teve de escolher entre os eleitores que vão dar a ele o direito de governar e a fatia do eleitorado para quem vai governar de fato.
Ficou com os votos de uns, anunciando apoio ao projeto que renegou diversas vezes, e a confiança dos outros, a quem prometeu revisar a conquista dos trabalhadores na primeira oportunidade de uma eventual gestão.
Para a plateia maior, o Zero Um diz que aceita reduzir a jornada para 40 horas e garantir dois dias de folga aos empregados.
Aos empregadores, sinaliza apoio à proposta de seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que estabelece um novo modelo a partir de horas trabalhadas e transforma todo contratado em um Uber de si: só ganha enquanto roda.
O candidato do PL deixou seu voto e foi fazer campanha no Rio Grande do Sul. Não ficou para ver a festa da ala governista do Senado, que lutou pela aprovação da mudança e vê o projeto avançar a poucos dias da eleição. Lula (PT) poderia ir até o Senado faturar em cima da conquista, mas preferiu deixar um registro nas redes.
O fim da escala 6 por 1 era a grande prioridade de seu governo neste ano, e certamente terá um peso da decisões de outra votação, a de 25 de outubro.
Flávio sabe o quanto seria perigoso jogar contra um projeto com tanto apoio apoio popular. Dos 75 senadores na sessão, só um, o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS), votou contra. A maioria não quis ficar mal com suas bases mesmo já tendo passado a eleição.
Dali, Zero Um era o único que tem contas a prestar com quem ainda pode mudar a corrida ao Planalto. A solução foi um drible da vaca, em que você se livra da encrenca para se encontrar com ela mais à frente.
No meio, está a população; parte dela crente de que é possível cortar gastos públicos sem cortar projetos sociais ou atender a dois senhores -- no caso, patrões e empregados. Flávio busca ganhar tempo acenando para uns e escondendo o facão de outros.