Kassio Nunes Marques, presidente do TSE
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Kassio Nunes Marques, presidente do TSE

Na reta final da campanha, Lula (PT) descobriu o celular, aquele aparelho eletrônico lançado comercialmente no início dos anos 1990 e que três décadas depois faria estrago em qualquer eleição.

Atrás no marcador, com cerca de 3 milhões de votos para tirar a diferença para Flávio Bolsonaro (PL), o presidente pediu ajuda aos universitários, como aqueles programas de pergunta e respostas da TV. Recrutou os jovens deputados de esquerda eleitos com votação expressiva, ouviu dicas, gravou vídeos na vertical e mobilizou uma militância que passou os últimos meses adormecida. Ou por achar que a guerra estava ganha ou porque tinha prova no dia seguinte.

A poucos dias da votação, as ruas agora alimentam as redes e as redes alimentam as ruas. 

Quem comanda a guerrilha digital é o controverso deputado federal André Janones (Rede-MG), figura antes esnobada por Lula e que de um dia para o outro virou a salvação da lavoura. A lavoura eletrônica.

Janones mobilizou uma multidão em um grupo de WhatsApp que rapidamente atingiu milhões de seguidores. O “Exército do Lula”.

O canal foi derrubado porque Flávio Bolsonaro viu ali uma fonte de produção de fake news. Não disse qual ou quais, e isso não foi motivo para impedir o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de atender à solicitação do filho do responsável por indicá-lo ao Supremo Tribunal Federal.

Alertado de que não, não tinha fake news ali, ele reviu a decisão e passou a exigir apenas que o canal fosse registrado na Justiça Eleitoral. Esqueceu de grupos similares que não passaram pela mesma exigência.

Até lá, o exército lulista fica silenciado por dois dias. É como um carro em alta velocidade parando para trocar pneus enquanto os outros seguem a mil.

Dias difíceis para Kassio Nunes, que recebeu quase uma centena de questionamentos de lado a lado das campanhas logo nos primeiros dias do segundo turno e ainda tem de administrar uma crise em casa devido à suspeita da Polícia Federal de que ele participava de festas com prostitutas pagas por Daniel Vorcaro.

Acostumado a absuros, o eleitor que acompanha a tudo atônito mal sabe que está para surgir um país em que o chefe da Justiça Eleitoral supostamente foi tão beneficiado por um banqueiro corrupto quanto um dos participantes da eleição. A diferença é a moeda corrente.

Em qualquer lugar do mundo o suspeito pediria licença, sob risco de conflito, e só ressurgiria quando qualquer insinuação estivesse respondida. Não é o caso do Brasil. O Brasil não é para amadores. Ou é.

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