
Faltam menos de 20 dias para o segundo turno da eleição presidencial, mas Brasília já vive como se o governo já tivesse mudado de turno.
Não fosse isso, Kassio Nunes Marques não avaliaria a possibilidade de votar um pedido de soltura de Jair Bolsonaro assim que as urnas forem fechadas. Parece um roteiro desenhado para que o ex-presidente esteja presente na cerimônia de posse do filho em janeiro. Um grande acordo nacional, com Supremo (acuado e com medo de ser devorado), com tudo.
É um sinal claro de que o vento da política mudou. Afinal, pra que deixar para amanhã a anistia que ser concedida hoje para ficar bem com o próximo governante?
No meio disso Lula já projeta derrotas em série. Davi Alcolumbre (União-AP) já deve ter lido por aí que Flávio trabalha com a ideia de apeá-lo da presidência do Senado e colocar no lugar o seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).
Alcolumbre, que não é bobo nem nada, já pegou o telefone uma hora dessas perguntando “o que vocês precisam, meus amigos?”.
Flávio não precisa se eleger para que seu partido, o PL, faça de Alcolumbre o que bem quiser daqui em diante.
Com 28 das 81 cadeiras da Casa a partir de 2027, já está definido quem vai mandar por ali, com lideranças próprias ou ferramentas de pressão sobre possíveis aliados e até opositores.
Alcolumbre é um deles e não vai desagradar a base dando de bandeja para Lula o presente da votação do fim da escala 6 por 1. Não sem a certeza de que a proposta será enterrada pelos pares.
Flávio e sua turma preferem que o trabalhador negocie diretamente com os empregadores os dias de descanso. 5 por 2, 6 por 1, 7 por 0. Para eles, tanto faz (boa sorte pra quem quiser pedir folga remunerada para quem pode decidir pela sua demissão por abandono de trabalho ou não).
O mesmo vale para a medida provisória que acabou com as bets no Brasil.
Flávio é a favor das apostas esportivas. Mesmo que não diga isso com todas as letras, dará um jeito de mostrar que Lula foi longe demais com a proibição e que é possível tomar um caminho do meio. Não é, mas isso é detalhe.
As empresas já podem celebrar. A retomada da operação é questão de tempo. Se não com a ajuda do atual Congresso, certamente com a do próximo que vai assumir em fevereiro.