O candidato do Republicanos ao governo de MG, Cleitinho Azevedo
Reprodução/redes sociais
O candidato do Republicanos ao governo de MG, Cleitinho Azevedo

Como uma velha música de Raul Seixas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) não queria ser candidato a governador para não correr o risco de ser eleito e alguém querer que ele fizesse o que se espera de um governador. No caso, governar.

Em condições normais, a candidatura estaria fadada a afundar. Não era só o candidato que não queria o desafio. O partido dele, o Republicanos, braço político da Igreja Universal do Reino de Deus, também não queria.

Pouco antes de bater o martelo, ele gravou um vídeo ao lado dos chefes da legenda e foi às lágrimas. Pediu desculpas e explicou que, para cuidar da população, deveria primeiro cuidar dele mesmo. Algo que, diante de um drama familiar recente, não estava conseguindo naquele momento.


Horas depois, mudou de ideia, e o jogo mudou. O vacilo, em outros tempos, levantaria qualquer red flag de quem busca, numa campanha, governantes capazes, convictos do que querem e emocionalmente estáveis na medida do possível. Nem precisa ser muito.

Acontece que o candidato que não queria ser candidato nem tinha apoio do próprio partido esqueceu de combinar com uma parte importante da história.

Os eleitores, ao que parece, querem, sim, que Cleitinho Azevedo seja a partir de 2027 o governador de um dos estados mais endividados do país – o que explica a relutância não só dele, mas de outras lideranças mineiras, de assumir a bucha depois do pasto deixado por Romeu Zema (Novo) na administração local.

Verdade seja dita, desde que desdisse aquilo tudo que nos disse antes (Raul, corre aqui de novo), Cleitinho não vacilou mais e vestiu de vez o figurino. Não dá sinais, até aqui, de que pretende mudar de ideia até domingo.

Bolsonarista de coração, ele tem ganhado o eleitor que não necessariamente se identifica com a turma. Há quem diga que o jeitão enrolado, no fim das contas, humanizou o candidato a ponto de torná-lo razoável. Foi um pulo para torná-lo também competitivo.

O senador chega na reta final da disputa com 37% das intenções de voto na pesquisa Quaest mais recente, contra 18% do segundo colocado, Patrus Ananias (PT). Em um provável segundo turno, ele bateria o petista com 53% contra 12%, segundo a mesma pesquisa.

Não exatamente como queria, a cúpula do Republicanos, acostumada a vender apoio e alianças no varejo eleitoral, está perto agora de assumir o controle dos dois estados mais populosos do país. Isso se ninguém desistir (de novo) até lá.

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