
Ano de eleição é ano de promessas de combate à violência. Geralmente ganha a discussão quem grita mais. É proposta de endurecimento penal aqui, de redução de maioridade ali, mas o cerne da questão, além do populismo de sempre (e geralmente masculino), quase sempre passa ao largo.
Passada a campanha, promessas de recrudescimento costumam pautar os debates (rasos) no Congresso sobre segurança. Fala-se muito das respostas, pouco de prevenção. E a prevenção da violência envolve planejamento, financiamento, integração de políticas públicas, produção de dados, qualificação institucional e fortalecimento da participação social, segundo a Rede Justiça Criminal, coalizão de organizações da sociedade civil brasileira criada em 2010 para reverter o encarceramento em massa.
Em 2026, a iniciativa reuniu relatos sobre o que faz uma mulher se sentir segura em sua rotina. E colheu iniciativas parlamentares que provocaram, de uma maneira ou outra, respostas do poder público sobre a questão.
O resultado é o projeto “Vote Segura”, uma cartilha com as principais ações, na última legislatura, sobre eixos centrais na proteção da mulher, como políticas de proteção integral e prevenção a violência, câmeras corporais, controle de armas e combate ao mercado ilícito.
A organização reuniu boas práticas legislativas para orientar o debate eleitoral e a formulação de políticas de prevenção e enfrentamento à violência. A ideia é embasar as propostas de candidatos e candidatas que disputam o voto dos eleitores em 4 de outubro.
Minoria no Congresso, as mulheres são a maioria do eleitorado em um ano em que a segurança pública se tornou um dos grandes temas da disputa. Mas essa discussão não pode ficar na superfície.
A campanha pode ser acessada em https://votesegura.org/