Flávio chutou bola de “avião” de Vorcaro contra o próprio gol
Lula Marques/ Agência Brasil e Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Flávio chutou bola de “avião” de Vorcaro contra o próprio gol

As imagens do desembarque de Alexandre de Moraes e Viviane Barci de um avião de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro era uma bola quicando na área para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Ele viu a chance e chutou. Contra o próprio gol.

Numa atuação que faria o Cigano Igor parecer um personagem shakespereano, o candidato performou indignação pelo fato de um ministro do Supremo viajar de carona oferecida por um banqueiro investigado enquanto a mulher assinava contrato com uma de suas empresas.

A fala, usada na campanha e espalhada nas redes sociais, era uma aula de indignação seletiva. 

Durante a campanha de 2022, Vorcaro emprestou uma aeronave de sua propriedade para aliados do bolsonarismo, como Nikolas Ferreira, fazer campanha para o então candidato à reeleição.

O mesmo banqueiro financiou o filme “Dark Horse”, a cinebiografia do agora ex-presidente. 

Novas mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mostram um lobista intermediando um encontro entre o mecenas e o cinebiografado. Vorcaro temia que o encontro, na surdina, vazasse.

O celular contou que até o pai do Neymar, um apoiador da família, cobrava dinheiro do dono do Banco Master para um projeto relacionado ao filho.

A indignação de Flávio dura até a segunda página.

O ministro terrivelmente alinhado ao clã, André Mendonça, vê o processo de canonização interrompido a cada nova revelação de que expôs Moraes enquanto fazia vistas grossas para indícios ainda mais fortes sobre colegas de toga. Vorcaro se referia à turma de Kassio Nunes Marques como a “turma do KN”. A turma teria sido cooptada com a contratação de um escritório de advocacia ligado ao ministro. E que receberia um valor quatro vezes maior do que o acordado com a esposa de Moraes para atuar numa série de processos de interesse do Banco Master.

Nunes Marques é suspeito de receber muitos agrados do cliente dos amigos, inclusive uma noite em boa companhia pela bagatela de R$ 10 mil.

Nunes Marques também foi indicado à Corte por Bolsonaro pai.

O filho se arrisca agora ao trazer a crise no STF para o centro da campanha. As razões da crise tem conexões profundas com a turma do Flávio – e, para ele, não dá para colocar a mão no fogo por um sem queimar o restante do braço.


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