
O presidente Lula (PT) saiu de um almoço e Brasília nesta quarta-feira (26) com um anúncio. Depois de meses de jogo duro, Davi Alcolumbre (União-AP) aceitou destravar as pautas de interesse do governo que estavam paradas no Senado.
Hugo Motta (Republicanos-PB), o chefe da Câmara, já havia sinalizado disposição parecida. Não quis comprar briga com um candidato à reeleição que, na última disputa presidencial, obteve quase 67% dos votos na Paraíba, seu reduto.
Não se sabe o que Lula ofereceu a Alcolumbre na sobremesa. Talvez uma dose de petróleo recém-descoberto pela Petrobras no Foz do Amazonas, no Amapá, a base do presidente do Senado. Talvez alguma jura de que não tem controle sobre o que faz ou deixa de fazer a Polícia Federal, interessada nas andanças do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro – e também do filho, Fábio Luis, nos rolos no INSS. Mas a amargura do neoaliado parece digerida.
Na antevéspera do início da propaganda de rádio e TV, Lula amarrou os líderes da Câmara e do Senado ao compromisso de fazer andar projetos como a MP da taxa das blusinhas, que estabelece o fim da cobrança de impostos federais de compras de até 50 dólares na internet, o fim da escala 6 x 1, o marco legal dos minerais críticos, o Redata, programa de atração de investimentos para Data Centers, e a PEC da Segurança.
É um cartão de visita e tanto para mostrar na campanha, mas nas mesas dos eleitores só se fala de outra coisa.
A novela Lula x Alcolumbre não tem a mesma audiência das tretas da família Bolsonaro, que acaba de ganhar um novo capítulo.
No fim de semana, Eduardo Bolsonaro compartilhou um vídeo, em suas redes, em que classifica como “triste, mas verdadeiro” o desabafo em que o influenciador extremista Allan dos Santos dizia preferir Bia Kicis (PL) e Sebastião Coelho (Novo) à Michelle Bolsonaro (PL) na disputa pelo Senado no Distrito Federal.
Com o endosso do Zero Três, Allan chama a ex-primeira-dama de “incógnita” e questiona suas posições políticas.
Flávio (PL), que levou semanas para desarmar a madrasta e obter dela algum apoio para a sua candidatura à Presidência, viu o potencial de estrago e entrou em cena. Fez circular a notícia de que telefonou para o irmão mais novo e pediu trégua.
O “estrago”: sem apresentar nenhuma proposta, a família se manteve no topo das atenções e deu a brecha para Flávio, um radical como qualquer outro da família, posar como poder moderador de qualquer campo de batalha.
É tão óbvio que parece até combinado.