
Em 25 de junho de 2025, o motorista da empresária Roberta Luchsinger buscou dinheiro com um “terceiro desconhecido”. Saiu de lá com duas coletas em espécie. Uma de R$ 100 mil e outra, de R$ 200 mil. Parte dos valores (R$ 50 mil) foi repassada a uma agência de viagens que, no mesmo dia, emitiu passagens para Fabio Luis Lula da Silva, um dos filhos do presidente Lula.
No voo de Brasília a São Paulo estava Roberta. O valor das emissões foi de R$ 2000. Roberta, em mensagens privadas, se queixava da ajuda de custo. Ela já bancava R$ 100 mil em moradia para o amigo, segundo uma mensagem interceptada pela Polícia Federal.
A generosidade não se explica pelos lindos olhos de Fabio Luis. Roberta se aproximou dele calculando que o filho do presidente poderia abrir portas para ela no Planalto.
Na ponta do esforço estava Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Juntos, eles fizeram ao menos três tentativas de fechar contratos no Ministério da Saúde.
As negociações, segundo documentos da PF obtidos pela Folha de S.Paulo, envolveriam a venda de R$ 627 milhões em medicamentos à base de cannabis, a entrega de testes de diagnóstico para dengue, e parcerias produtivas por meio da Iquego (Indústria Química do Estado de Goiás S.A.).
Detalhe é que nenhuma das tratativas avançou. O próprio Fabio Luis, em uma das mensagens interceptadas, assume a incompetência. “Trabalho pra c…e nunca dá nada”.
Não foi por falta de esforço. Em um dos encontros, em março de 2024, Roberta e Camilo Antunes tiveram uma reunião com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde. A dupla apresentou um plano para regularizar produtos à base de cannabis para a venda no Brasil. Ouviu, como resposta, que o assunto era de competência da Anvisa.
O plano B de Roberta, ao que tudo indica, era Marco Aurélio Ribeiro, chefe-de-gabinete de Lula. A empresária pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, entre outras despesas, para o servidor, que é conhecido como Marcola e estava licenciado para cuidar da campanha de Lula à reeleição.
Marcola garante que os valores foram empréstimos já quitados. Falta explicar por que ele recebeu de Roberta rascunhos de documentos de contratos que nunca foram firmados. O ex-chefe-de-gabinete garante que jamais repassou os papéis para o ministério.
As revelações são graves e mostram uma articulação de uma dupla investigada que beneficiou pessoas próximas ao presidente com o objetivo claro de ganhar contratos públicos mais à frente.
A conta gotas, o vazamento de conversas do tipo pode causar (já causa) um problemaço para Lula. Mas causaria ainda mais problemas se o lobby descarado tivesse avançado, o que não há indícios até agora.