
Uma semana após o terremoto de magnitude 7,4 que mataram quase 300 pessoas na Colômbia, o presidente Abelardo de la Espriella decidiu visitar Buenaventura e Chocó, cidades mais afetadas pelo abalo sísmico.
Ao chegar ao local, a barba feita, paletó azul e boné branco característicos, ele abriu a porta do automóvel e, sem sair de lá, arremessou bolas de futebol para as vítimas da tragédia. Ótima hora para fazer campanha. As bolas tinham as cores e o logotipo de seu partido. Era tudo o que os atingidos que perderam suas casas precisavam.
O gesto é um dos muitos atos erráticos do chefe de governo recém-empossado. Como tantos, o líder ultranacionalista descobriu que não dá para lidar com a realidade com memes nas redes sociais. Não precisava estrear diante de um terremoto, mas a realidade é sempre mais bruta do que promete o algoritmo.
Espriella também foi criticado por rejeitar oferta de países não alinhados à sua agenda ideológica, como o México, e aguardar equipes de resgate de nações amigas e mal preparadas quando o resgate de sobreviventes já não era possível.
É nesta hora que a população percebe que elegeu um meme, e não um líder.
O mesmo acontece na Argentina, refém de um desvairado que passa mais tempo lambendo as botas de ídolos como Donald Trump e Benjamin Netanyahu do que trabalhando. Nas horas vagas ele pega o microfone e brinca de cosplay de cantor de churrascaria com comediante B de stand up.
Nesta semana risco-país da da Argentina, calculado pelo JPMorgan, voltou a superar a marca de 500 pontos. Uma porrada para um governante que prometia resgatar a confiança do país sanando as finanças às custas dos trabalhadores.
Uma das razões da escalada é o nível das reservas internacionais, as restrições aos fluxos internacionais de capitais e o histórico de inadimplência argentino. O suficiente para barrar o acesso a crédito em condições favoráveis.
Hoje a América do Sul é dominada por figuras do tipo. Donald Trump, o títere por trás delas, olha para o Brasil como quem olha para a joia da coroa. Precisa de um aliado da espécie para distrair a plateia enquanto saqueia o que tiver de recursos minerais e outras riquezas do país invadido sem disparar um tiro – na melhor das hipóteses. É como condenar um continente todo a viver de bolas que entretém enquanto todo o resto desmorona.