
Teve até choro no último capítulo da novela Cleitinho.
O senador bolsonarista hesitava em aceitar a missão de disputar o governo de Minas Gerais, mesmo liderando as pesquisas.
O Republicanos, seu partido, cansou do lenga-lenga e descartou o parlamentar do jogo. Ele bateu o pé. Tomou um enquadro do presidente nacional da legenda, Marcos Pereira. Seguiu batendo o pé. Até que recuou.
Ao lado dos caciques do Republicanos, ele chorou, alegou questões pessoais, e, aos prantos, disse que não estava dando conta de cuidar dele nem da família. Que dirá do segundo maior estado do país. Portanto, digam ao povo que ele ficava -- no Senado, onde tem mais quatro anos de mandato com picadeiro garantido.
Quando os letreiros já corriam a tela, os produtores da novela anunciaram a reviravolta. Cleitinho enxugou as lágrimas e disse que pensou bem e está, sim, pronto para a missão.
Até quando, não se sabe.
A relutância é sintomática. Em Minas, as estrofes de Raul Seixas ganharam atualização. Os candidatos não querem ser governador. Pode ser que sejam eleitos. E alguém pode querer meter o bedelho nos acordos entre as legendas e os palanques nacionais.
Cleitinho Azevedo, no caso, era considerado bolsonarista demais para fazer o jogo do centrão no estado. Isso em um momento em que a legenda se afasta de Flávio Bolsonaro (PL) no campo nacional.
Não só isso. Minas vive hoje um estado de ruína sob o ponto de vista das finanças. O prêmio para quem chegar vitorioso ao fim da corrida eleitoral é um caixa esburacado pela gestão Romeu Zema (Novo), com despesas obrigatórias que consomem todo o orçamento, sem recursos para investimentos e uma dívida bilionária com a União.
Não por acaso, o Partido dos Trabalhadores também enfrentou dificuldades para escolher um candidato para chamar de seu. A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, era o nome favorito da cúpula nacional. Ela não topou. E o veterano Patrus Ananias, ex-ministro do primeiro governo Lula, reve que ir para o sacrifício.
Cleitinho e Marília preferem amarrar o burro na sombra do Congresso, que hoje garante visibilidade, menos desgaste e menor cobrança direta por entregas.
Flávio e Lula têm razão para se preocupar com a situação por lá.
Um palanque frágil comprometeria toda a estratégia da campanha presidencial. Minas é uma espécie de micro-cosmos do Brasil. Historicamente, o candidato a presidente que vence por lá, vence também a disputa nacional. Mas o futuro incerto de quem entra na disputa para perder pode comprometer planos maiores.