
A convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência pelo Partido Liberal, neste sábado (25), chama mais atenção pelas ausências do que pelos discursos de corpo presente. Mesmo que, nesta segunda categoria, esteja um raivoso Javier Milei cumprindo o papel de emissário de Donald Trump.
Jair Bolsonaro, o arquiteto da candidatura, está preso e incomunicável porque, na última eleição, liderou uma tentativa de golpe de Estado.
O irmão Eduardo foi para os Estados Unidos conspirar contra o próprio país e pressionar o governo e o Judiciário brasileiros com lobbies em defesas de tarifas e outras sanções da Casa Branca a empresários e autoridades brasileiras. Não pode pisar aqui para não ser preso.
Os dois irmãos que sobraram têm, no palco, a mesma presença de espírito de uma morsa atropelada.
Restou a Flávio recorrer aos amigos estrangeiros. São eles mesmo que vão governar o país em caso de vitória.
Ela está um pouco mais distante desde que ele decidiu escantear a madrasta, Michelle Bolsonaro, das decisões sobre alianças nos planos estaduais.
Depois dos vídeos em que escancarou as humilhações do enteado, a ex-primeira-dama gravou uma mensagem monocórdica em defesa da candidatura do Zero Um, citado por ela uma única vez – para um protocolar desejo de sorte, como um tchau e benção. Ao menos enviou uma representante em papelão instalada no corredor de quem passava pelo centro de convenções.
Quem esteve por lá relatou um clima de velório durante o evento. Flávio larga com dois pés no crime eleitoral: o uso de um vídeo do pai incomunicável feito por Inteligência Artificial (uma proibição dupla) e a interferência de um chefe de Estado estrangeiro em questões internas.
A convenção serviu também para Flávio rasgar a fantasia de filho moderado da família golpista. O evento todo foi uma grande plantação de sementes de novas turbulências caso o clã seja derrotado mais uma vez.