O senador Flávio Bolsonaro (PL)
Lula Marques/Agência Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL)

Flávio Bolsonaro (PL) acaba de voltar dos Estados Unidos, onde se reuniu, em Dallas, com os parceiros do Cpac, espécie de Rock in Rio dos políticos conservadores (leia-se reacionários) do mundo.

Como o pai, ele colocou o sistema eleitoral de seu país em dúvida e pediu a vigilância dos anfitriões. Também se colocou à disposição para os Estados Unidos pilharem os minerais de terras-raras do Brasil, estratégicos para inovação tecnológica, e disse ser favorável à classificação de facções criminosas como “terroristas”, uma maneira de dar sinal verde para ataques e invasões como os promovidos contra o Líbano por causa do Hezbollah.

Flávio praticamente disse lá fora o que Raul Seixas cantava em tom de ironia: a solução é alugar o Brasil. No caso dele, vender a  qualquer preço.

Donald Trump, claro, ficou salivando, e não esperou nem chegar outubro para dizer o que quer.

Um relatório divulgado pela Casa Branca nesta quarta-feira (1º) criticou o acordo do Brasil com o Mercosul e detonou o sistema PIX por supostamente prejudicar gigantes de cartão de crédito norte-americanas, como as bandeiras Visa e Mastercard.

Pode ser que nem Flávio, o entreguista oficial da campanha, tenha coragem de mexer nesse vespeiro, mas quem sabe ligar os pontos ligou também o alerta. Não demorou para os adversários colarem na testa do Zero Um a acusação de que, uma vez eleito, acabará com o Pix, como quer o chefe da turma, Donald Trump.

Nessas horas defender o país é como reagir quando alguém fala mal ou bate em alguém da nossa família. O Brasil tem lá seus problemas, pensam esses eleitores, mas são os “nossos problemas” – e ninguém deve meter o bedelho, nem com ameaças financeiras nem com bombas.

Em 2025, Trump inventou, sob incentivo de Eduardo Bolsonaro, um tarifaço contra importações brasileiras em protesto contra o que chamou de perseguição contra Jair Bolsonaro. Lula reagiu, colou no rival a pecha de traidor da pátria e viu a popularidade crescer.

No momento em que Flávio se consolidava como um adversário competitivo, segundo as pesquisas, o republicano arremessou a casca-de-banana e ele correu para escorregar. Lula, de novo, agradece.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes