O presidente Lula (PT) identificou um inimigo no caminho da sucessão.
Um estudo divulgado pelo Ibevar, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo, em parceria com a FIA Business School, revelou que as plataformas online de aposta são o principal motor do endividamento das famílias brasileiras.
A receita bruta total só das empresas autorizadas a operar no Brasil atingiu R$ 37 bilhões em 2025, segundo uma reportagem do portal UOL. Não por acaso, o comprometimento da renda das famílias atingiu um patamar recorde em janeiro 29,2%, ante 27,5% de janeiro do ano passado. Nesse período, o endividamento das famílias também subiu, de 48,4% para 49,7%.
A conta é a seguinte: quanto mais dinheiro do orçamento já está comprometido com parcelas de empréstimos e financiamentos, maior é o risco de essa pessoa se tornar inadimplente.
Lula sabe o quanto o combo "dívidas + redução do poder de compra" pode afetar o humor dos eleitores. E mandou o recado a Dario Durigan, o novo ministro da Fazenda: é preciso elaborar propostas para reduzir o endividamento da população.
"Tudo a gente vai comprando. É R$ 50 ali, R$ 30, R$ 40. Parece que não é nada. Mas quando chega no final do mês, a somatória dessa quantidade de pouquinhos vira grande. E a gente começa a ficar zangado. ‘Trabalhei o mês inteiro, recebi meu salário e não sobrou nada’. Aí quem vocês xingam? O governo", declarou em um evento na quinta-feira (26).
Bingo. É exatamente assim que funciona.
Lula falava da facilidade das pessoas de comprar o que precisam e o que não precisam com um celular na mão e plataformas de vendas online. Mas ele sabe onde está o furo no bolso dos eleitores.
Foi com contrariedade que ele sancionou, nesta semana, o PL Antifacções sem emplacar a alíquota de 15% sobre apostas esportivas – a ideia era levantar R$ 30 bilhões ao ano para o Fundo Nacional de Segurança Pública. O centrão barrou a brincadeira, e Lula não quis mexer no vespeiro.
No início do mês, o petista declarou que “não faz sentido permitir que os jogos do tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular”. “Vamos trabalhar unindo o governo, o Congresso e o Judiciário para que esses cassinos digitais não continuem endividando famílias e destruindo lares", disse.
A fala era mais uma promessa sem plano claro do que uma ameaça. Mesmo assim empresas do tipo não querem ver o presidente nem pintado de ouro. Preferem outro candidato que não ameace seus negócios com conversas sobre regulação.
Tanto que, como mostrou o canal ICL Notícias, ao menos duas bets já patrocinam canais de entretenimento do Instagram com postagens críticas ao governo Lula. O Planalto já analisa o caso para tomar providências. Esses perfis, afinal, têm milhões de seguidores e atingem justamente o público que anda ansioso por causa das dívidas. Mas segue apostando e sendo induzido a apostas até quando pensa consumir entretenimento.
O nome disso é guerra. E ela é bem suja. Erra quem apostar que vai acabar tão cedo.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG