O senador Flávio Bolsonaro
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro

A pesquisa Quaest divulgada no começo da semana fechou a tampa no caixão das expectativas de que a eleição deste ano seria mais tranquila, para o presidente Lula (PT), do que a anterior.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com um currículo torcido, retorcido e resumido a um único atributo – ser filho do Jair – acendeu os farois pedindo ultrapassagem na pista da sucessão.

Há razões para isso. Do pai ele herda, na largada, um eleitorado historicamente avesso ao PT. E que não vê alternativa pior ao campo progressista nem que a opção à mesa deseje em voz alta a invasão e o bombardeio de forças estrangeiras no país que o candidato sonha em governar.

A estreita margem de eleitores que ainda bambeiam lá e cá ouve sobre crescimento econômico (já reduzido em 2025) e inflação controlada mas não sente qualquer bonança no bolso.

Lê sobre pleno emprego enquanto se equilibra em trabalhos precários e mal remunerados. E acompanha o noticiário sobre o envolvimento de ministros do STF no escândalo do banco Master e associa o caso automaticamente ao governo, que tem jogado em parceira com a Suprema Corte para barrar invencionices do Congresso e garantir o funcionamento mínimo das instituições – aquelas que permitiram a Lula tomar posse e seguir com a faixa mesmo após o 8 de janeiro de 2023.

A suspeita sobre Fábio Luis Lula da Silva, que andou próximo demais do pivô de outro escândalo, o do INSS, também não colabora. Mesmo que Flávio Dino tenha barrado no STF a quebra do sigilo do filho do presidente em ano eleitoral.

Com Jair Bolsonaro silenciado na prisão – e os erros cometidos em contextos como a pandemia já distantes da memória e das lembranças do noticiário – Flávio joga parado e se beneficia do desgaste do governo.

Não só. Mesmo com enfrentamentos, todo mundo sabe quem é o candidato do bolsonarismo ao governo de São Paulo. Tarcísio de Freitas (Republicanos) será o grande puxador de votos da turma no maior colégio eleitoral do país, enquanto Lula precisará sacrificar seu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para garantir um palanque paulista e conter danos à sua campanha.

O fato é que o nome de Haddad sequer foi lançado ainda, mas seu adversário e atual governador faz campanha dia sim, outro também.

Em Minas, o segundo maior colégio eleitoral, o PL se articula para filiar nomes simpáticos e hoje populares do bolsonarismo, como os senadores Cleitinho, hoje do Republicanos, e Carlos Viana, do Podemos – que conta com a vitrine da CPMI do INSS como trunfo. 

Por lá resta ao PT torcer para que Rodrigo Pacheco (PSD) assuma a missão de disputar o governo de Minas e mantenha um compromisso minimamente conectado à agenda petista. Mas periga ser cooptado pelo conterrâneo Aécio Neves (PSDB), que tenta se amarrar na candidatura do hoje senador para garantir a sobrevivência de seu partido – que, como bom tucano, não se bica com petistas.

O problema hoje para Lula não são só as condições da largada, mas de iniciar uma reação a partir dos estados que costumam definir uma eleição. E ali, por enquanto, pouco ou nada está definido.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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