Réu por estupro coletivo usa camisa de movimento masculinista ao se entregar
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Réu por estupro coletivo usa camisa de movimento masculinista ao se entregar

Na quarta-feira (4), ao se entregar para a polícia, um dos réus pelo estupro coletivo de uma jovem de 17 anos  no Rio chegou à delegacia vestindo uma camiseta na qual se lia “Regret nothing”. Em tradução livre: "Não se arrependa de nada".

O detalhe passou desapercebido por quase uma semana, até que alguém sacou a referência e falou: pera aí.

O réu não estava comunicando apenas que não se arrependia de uma atrocidade. Estava mostrando onde a atrocidade começa e termina. Tornava-se, literalmente, um réu confesso do movimento da qual faz parte: os chamados “red pill”, grupo masculinista que propaga ódio a mulheres pelas redes.

Andrew Tate, ídolo da turma, foi quem popularizou a expressão. Tate é um  ex-kickboxer britânico profissional que chegou a ser expulso de um reality show por ostentar posições criminosas durante o programa. Ele se tornou influencer e hoje espalha por aí o seu desprezo por mulheres – a lista de fãs é grande e alcança milhões de pessoas. Mesmo ele sendo acusado de estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores. Ou justamente por isso.

O crime em Copacabana contra uma jovem de 17 é a prova de que esse tipo de discurso não fica só nas caixas de comentários dos portais e morre por lá. É uma corrente de transmissão que estimula e encoraja seguidores a colocar esse ódio em prática. Como uma seita.

Não é só que os marmanjos sabiam do crime que estavam cometendo ao atrair a vítima para um apartamento vazio. Seus mestres também sabiam. E os protetores, aparentemente, também. Pela reação de um dos pais dos acusados, que usou as redes para xingar o advogado da vítima, os monstrinhos de Copacabana tinham guarida emocional, financeira e ideológica – e não só descuido sobre o que consomem nas redes – para fazer o que quisessem contra que quisessem – sem repreensão, como se fosse um direito natural a cometer um crime pelo qual não precisam se arrepender.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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