Alvo de investigação pela Polícia Federal (PF) sobre o golpe no Instituto Nacional de Seguridade Social ( INSS ), o deputado Edson Araújo (PSB), teve depoimento adiado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito ( CPMI ), que estava prevista para esta segunda (9), às 16h, alegando impossibilidade de comparecimento por estar se recuperando de uma cirurgia.
O presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos), informou, em suas redes sociais nesta manhã, o cancelamento integral da sessão, após o empresário Paulo Camisotti enviar de última hora, atestado médico.
Viana afirmou que a oitiva será remarcada para uma “data oportuna” e reforçou que a comissão não aceitará “expedientes protelatórios e atestados médicos como instrumento para esvaziar investigações”. Em tom de alerta, o senador afirmou que “as providências legais e regimentais cabíveis serão adotadas, inclusive a condução coercitiva, caso seja necessário”.
Ameaças e o esquema
A presença do deputado na CPMI é considerada crucial, principalmente após o embate político com o vice-presidente da comissão, deputado Duarte Júnior (PSB), que denunciou no final de 2025 o recebimento de mensagens de texto enviadas por Araújo com tons de ameaça, após o colegiado aprovar a quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático do deputado investigado.
O parlamentar maranhense é apontado como a força política do esquema que movimentou mais de R$ 50 milhões, através de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo as investigações, o deputado teria utilizado a sua influência em entidades de classe para autorizar deduções sem o consentimento de aposentados e pensionistas.
Elo operacional: Paulo Camisotti
Considerado como a engrenagem operacional do esquema fraudulento, Camisotti é sócio de empresas que prestavam serviços de processamento de dados para entidades de classe. Ele é suspeito de manipular o sistema para incluir descontos indevidos diretamente na folha de pagamento de milhares de segurados.
Camisotti possui habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o assegura o direito ao silêncio na oitiva pela CPMI.