Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Casa Branca/Reprodução
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos

Donald Trump mudou o tom depois de praticamente tratar, na véspera, a Groenlândia como o 49ª estado norte-americano.

Em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, ele reiterou o interesse sobre o território que hoje pertence ao reino da Dinamarca. Mas avisou que não pretende usar a força para conseguir o que quer. “Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força e poder excessivos, caso em que seríamos, francamente, imparáveis”, disse, com uma ameaça nada sutil embutida na mensagem.

Trump classifica a ilha como um “pequeno preço” pela proteção mundial, mas o discurso não colou.

Antes, em entrevistas, Trump não negava a opção militar. A conversa mudou nas últimas 24 horas, quando líderes da União Europeia anunciaram a suspensão das negociações sobre o acordo comercial entre o bloco e os Estados Unidos.

Isso em um momento em que os europeus finalizam a zona de livre comércio com a América Latina.

Trump vai na direção contrária e espalha tarifas mundo afora. A ideia é usar o porrete comercial como poder de barganha. Funciona com países isolados, mas em bloco a coisa muda de figura.

O que a Europa está dizendo é que o republicano vai brincar sozinho de "seu mestre mandou", enquanto os países do continente ampliam as relações comerciais com nações igualmente afrontadas pela (pre)potência norte-americana.

Vai chegar uma hora em que, sob Trump, os Estados Unidos serão apenas o grandalhão com quem ninguém brinca no parque. Não terão com quem conversar nem a quem vender.

A diplomacia, essa ciência inexata em que os países sentam, negociam, cedem e recuam para sobreviver num contexto global, não é uma ferramenta efetiva à toa.

Trump aposta na lei do mais forte, como se estivéssemos todos numa grande lei da selva que não serve nem para os animais.

Se funcionasse, o topo do mundo seria ocupado por um bicho grandalhão, sozinho e orgulhoso por ter exterminado os adversários que já não servem como companhia nem como alimento.

Trump não esperava uma reação tão enérgica de países como a França. Sem a Europa, o republicano condenará o próprio país ao isolamento, o que significa um grande passo para a derrota definitiva na corrida contra a China, que se fortalece fechando negócios com o resto do mundo sem dar um pio.

*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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