
No mesmo dia, dois dos principais ministros do governo Lula (PT) anunciaram a intenção de pedir o boné.
Fernando Haddad (PT) deve deixar o Ministério da Fazenda para trabalhar na campanha de 2026. Ou como coordenador da candidatura de Lula à reeleição ou indo ao sacrifício na disputa pelo governo de São Paulo ou o Senado.
Todas as disputas são duríssimas, e deixariam com o presidente a delicada missão de escolher um titular tampão da economia para fazer a ponte com os setores mais hostis ao governo.
As conversas com o chefe já começaram, disse ele em entrevista ao UOL. Ou seja: a saída é questão de dias.
Haddad segurou a bomba nos dentes por três anos, e já dá sinais de cansaço. Se houvesse um ranking das profissões mais estressantes do mundo, a de ministro da Fazenda em um país como o Brasil certamente estaria bem pontuada, com o agravante, de uns anos pra cá, das intensas campanhas da oposição que obrigam seu titular a ir a público de tempos em tempos enfrentar as feras no Congresso e desmentir as fake news produzidas em escala industrial pelos Nikolas Ferreiras da vida.
Haddad, nesses três anos, passou mais tempo desmentindo boatos sobre taxações inexistentes do que sentado na cadeira.
Ainda assim, é o homem de confiança de Lula, que chega à campanha com índices de crescimento razoáveis e inflação controlada, metade do caminho para qualquer postulante à reeleição.
Quem também está de saída é Camilo Santana. O titular da Educação anunciou o desejo de se dedicar à campanha do Ceará, seu reduto, que promete ser dureza em um contexto em que a reunião de forças entre lulistas e a família Gomes na região se espatifou. Inclusive na família Gomes.
Ciro Gomes, o irmão revoltado, se filiou ao PSDB e ameaça amarrar o bolsonarismo em sua campanha. Oficialmente o clã tem outro candidato, Eduardo Girão, do Novo.
Elmano de Freitas (PT) tem chances reais de não se reeleger.
Camilo, seu padrinho político, promete voltar ao estado-natal levando a cavalaria e mantendo o Ceará como uma trincheira que, na última disputa presidencial, garantiu 4 milhões de eleitores a Lula (70% dos votos locais).
Há quem diga que o candidato pode ser o próprio Camilo, caso Elmano não demonstre forças para segurar a bronca.
Em seu mandato como ministro, ele deixou para Lula algumas vitrines, como o Pé de Meia, o MEC Enem e o MEC Livros, que facilitaram o acesso de estudantes a obras e simulados do exame por meio digital.
A saída do titular não deixa de ser um desfalque para o governo em ano de eleição, quando o setor precisará ser resguardado dos ataques coordenados de opositores.
Tudo fica ainda pior quando se leva em conta que o titular da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, também pode desfalcar o time do governo para reforçar o time da reeleição.
A migração deixa entrever que a prioridade em um ano-chave é a campanha, e que a máquina pode operar sem seus principais nomes até lá. Será que pode mesmo?
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG