Há três anos, uma multidão instigada, alimentada e radicalizada por grupos políticos que não sabem perder eleição.
Invadiram e quebraram a sede dos Três Poderes na ilusão de que estavam tomando o poder.
Em vez disso, tomavam o rumo da cadeia, e os chefes da revolta só decidiram intervir por eles quando perceberam que eram os próximos a ir em cana.
Foi exatamente o que aconteceu.
De lá pra cá, tudo o que os responsáveis fazem é tentar reescrever a história. Traindo as imagens, juram que tudo não passou de uma manifestação pacífica promovida por senhoras com batom e Bíblia na mão.
As investigações sobre o que aconteceu entre o fim das eleições e os ataques de 8 de janeiro colocaram Jair Bolsonaro na cena do crime. Ou melhor: no topo do comando da organização criminosa que mobilizou generais, um almirante, militares e até um policial federal que, em áudio, descreveu o plano: matar meio mundo.
Na lista de alvos estava o presidente eleito, o vice, e o juiz responsável por barrar a tentativa de descredibilizar as urnas eletrônicas.
Parte dos parlamentares eleitos pelo mesmo sistema se mobilizou ao longo dos últimos anos para aprovar um projeto de anistia aos golpistas. Sem sucesso, conseguiram tirar no muque o projeto de dosimetria, que não tira Bolsonaro e companhia da prisão, mas reduz o tempo de pena. Reduz consideravelmente.
Nesta quinta-feira (8) o Palácio do Planalto organizou o ato em memória do dia em que a democracia brasileira envergou e não quebrou. Ele era um dos alvos do plano Punhal Verde e Amarelo, que previu o assassinato de autoridades.
Os chefes do Congresso, instituição estilhaçada durante a invasão, não compareceram – o que diz muito sobre o compromisso da dupla na defesa das instituições que juram representar.
No ato, Lula anunciou que barraria o projeto de lei que livra os algozes da pena máxima.
Os arquitetos do plano prometem reagir.
Paulinho da Força (Solidariedade-SP), o relator do projeto infame, disse que o presidente acaba de rasgar a bandeira branca da relação com o Congresso.
Talvez ele não saiba, mas quem tentou botar fogo no país foi a outra turma. A turma para quem ele tenta aliviar para emparedar o governo e conseguir o que o centrão quer: recursos, cargos, emendas.
O Brasil segue longe de viver tempos de paz.
*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG