Ciro Gomes em evento de filiação ao PSDB
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Ciro Gomes em evento de filiação ao PSDB

Ciro Gomes rodou, rodou e voltou para casa.

Em Fortaleza, onde já foi prefeito e governou o estado, participou nesta quarta-feira (22) de uma cerimônia de filiação ao PSDB, seu partido durante sete anos, de 1990 e 1997.

Um e outro já foram maiores e tiveram mais pretensões. 

O PSDB já foi a maior legenda do país. Venceu, com Fernando Henrique Cardoso, duas eleições presidenciais. E disputou palmo a palmo todas as outras até 2014, quando Aécio Neves decidiu chilicar com a derrota para Dilma Rousseff (PT) e abriu os portões para o extremismo. Achou que sentaria na janelinha e foi empurrado para o fundo do bonde por Jair Bolsonaro (PL) e companhia.

O partido hoje luta para se recompor.

Não tem senador, não elege prefeitos como antes e perdeu os três governadores eleitos em 2022 para legendas mais promissoras.

Ano passado, apostou as fichas na candidatura de José Luiz Datena para a prefeitura de São Paulo, de onde os caciques tucanos imaginavam que recomeçaria a marcha para colocar a sigla no lugar de grandeza que um dia habitou. A aventura terminou com uma cadeirada.

Ciro, por sua vez, deu a volta ao mundo para voltar ao mesmo lugar. Passou por uma dezena de partidos. No último, o PDT, ficou dez anos. Afinou o discurso para grupos progressistas e durante um tempo acreditou que seria o candidato a presidente de Lula (PT) quando este fosse preso e impedido, como foi, de concorrer às eleições de 2018.

Ciro nunca perdoou o ex-aliado, de quem foi ministro da Integração Nacional, por ter escolhido Fernando Haddad (PT) para a missão de substituí-lo.

Pouco a pouco, se afastou de Lula, a quem passou a chamar de “bandido” para baixo em manifestações públicas.

Dali a ser abraçado pelo bolsonarismo foi um pulo.

É só ver a quantidade de figuras que prestigiaram a ida dele ao PSDB. A maioria ele desprezava há pouco tempo. Ou fingia desprezar.

Possível candidato ao governo do Ceará, Ciro é acolhido pelos tucanos em um momento em que a legenda e a própria família Gomes está rachada. 

No vácuo, o bolsonarismo passou a ter mais chances eleitorais do que sonhava em um reduto dos Gomes e do PT.

Ao lado de Ciro estava o ex-governador Tasso Jereissati, seu amigo desde a primeira passagem pelo PSDB. Tasso já foi uma das lideranças mais ouvidas no PSDB quando o PSDB tinha ainda algo a dizer ao país.

O reencontro de turmas mostra que todos ali – Ciro, Tasso e os tucanos remanescentes – têm agora um grande passado pela frente.


*Este texto não reflete necessariamente a opinião do Portal iG

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