Fernando Haddad falou sobre o IR
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Fernando Haddad falou sobre o IR

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), criticou nesta semana a articulação política que busca condicionar a aprovação do projeto de lei que amplia a faixa de isenção do IR (Imposto de Renda) à votação do chamado PL da Dosimetria .

“Nem me passa pela cabeça que isso possa estar sendo discutido, porque é uma loucura. Você vai submeter um projeto de justiça social e tributária a isso? Faz a discussão que quiser, mas atrelar uma coisa à outra? Vota com a tua consciência no projeto do IR, vota com tua consciência e defende a bandeira que você quiser” , declarou o ministro em entrevista ao podcast Três Irmãos.

A proposta de isenção do IR foi enviada pelo governo ao Congresso em março e estabelece que rendas de até R$ 5 mil mensais fiquem livres do tributo. Também reduz a alíquota para rendimentos até R$ 7 mil, alcançando cerca de 90% dos contribuintes.

O texto prevê compensações fiscais, como a taxação de dividendos enviados ao exterior e a elevação de tributos para rendas acima de R$ 50 mil.

Entenda o caso: Motta: é hora de “tirar pautas tóxicas” e votar isenção do IR

A medida, que passa a valer em 2026, foi apresentada como forma de neutralizar perdas estimadas em R$ 35 bilhões com novas receitas de R$ 34 bilhões.

Já o PL da Dosimetria (PL 1255/2021) trata de mudanças no cálculo de penas e benefícios a condenados, incluindo reduções ou anistias em casos de crimes não violentos, com impacto em processos relacionados à Operação Lava Jato.

O projeto é considerado prioridade por setores do Centrão, mas enfrenta resistência de parte da base governista e mobilizou protestos contrários em setembro.

A estratégia dos líderes do Centrão é tentar votar as duas propostas de forma conjunta, aproveitando a popularidade da isenção do IR para reduzir críticas à dosimetria.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), afirmou, no entanto, que não há vinculação formal entre os projetos e garantiu que a votação da isenção do IR ocorrerá em 1º de outubro.

Parlamentares como Paulinho da Força (Solidariedade) chegaram a sugerir atrasos, mas Motta negou o atrelamento e reiterou o compromisso com a tramitação da reforma tributária.

Apesar disso, interlocutores confirmam que setores da base ainda trabalham para articular uma votação casada.

Haddad quer que discussões sejam separadas

Fernando Haddad
Renato Araújo/Câmara dos Deputados
Fernando Haddad


Haddad, em sua fala, destacou que o projeto do IR representa “a maior reforma da renda da história”, com potencial de corrigir distorções sem impacto no arcabouço fiscal ou cortes de gastos.

Ele rejeitou a vinculação das propostas e defendeu que os parlamentares tratem os dois temas separadamente.

Estudos acadêmicos, como os do Made/USP, apontam que a medida tende a beneficiar sobretudo a classe média, podendo ampliar desigualdades caso não seja acompanhada de maior taxação sobre os mais ricos.

O governo, no entanto, pressiona pela aprovação imediata como cumprimento de promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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