As palavras de ordem “Congresso inimigo do povo” e “Centrão inimigo do povo” resumem a insatisfação com medidas legislativas
Reprodução / Twitter Gleisi Hoffmann
As palavras de ordem “Congresso inimigo do povo” e “Centrão inimigo do povo” resumem a insatisfação com medidas legislativas


O ato marcado para quinta-feira (10), na Avenida Paulista, reúne movimentos sociais aliados do governo federal, mas evidencia tensões entre os grupos organizadores e o Palácio do Planalto .

Embora parte das pautas coincida com propostas defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como a isenção do Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, a manifestação adota um tom de independência política e crítica à condução econômica do Executivo.

Organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com apoio de centrais sindicais, partidos de esquerda e movimentos como MST, MTST e UNE, o protesto tem como alvo principal o Congresso Nacional, especialmente o Centrão.

As palavras de ordem “Congresso inimigo do povo” e “Centrão inimigo do povo” resumem a insatisfação com medidas legislativas que, segundo os organizadores, preservam privilégios da elite e restringem direitos trabalhistas.

Ao mesmo tempo em que defendem a aprovação de propostas do governo, como a tributação de altas rendas e a isenção do IR para salários mais baixos, os movimentos cobram ações que vêm sendo barradas ou atenuadas por articulações entre o Planalto e o Centrão.

Há críticas ao arcabouço fiscal e à chamada “retórica tributária” do Executivo, vista por alguns setores como insuficiente diante do atual cenário de desigualdade.

Pautas prioritárias

Manifestantes protestam contra a escala 6x1
União Nacional dos Estudantes/Reprodução
Manifestantes protestam contra a escala 6x1


Entre as pautas centrais do protesto estão o fim da escala de trabalho 6x1, a rejeição à proposta de jornada 7x0, o corte de emendas parlamentares e o combate aos supersalários no Judiciário e no funcionalismo público de alto escalão.

A pauta econômica inclui ainda a taxação de fortunas acima de R$ 50 mil mensais, revisão de renúncias fiscais equivalentes a 4,8% do PIB e aumento do IOF para operações de alto valor, medida já vetada pelo Congresso.

A manifestação também integra a campanha “Plebiscito Popular Por um Brasil mais Justo”, que pretende consultar a população, até 7 de setembro, sobre isenção do IR, tributação de bilionários e fim da jornada 6x1.

A mobilização anterior, realizada na semana passada, incluiu a ocupação simbólica da sede do Itaú BBA, em São Paulo.

Apesar do apoio parcial a propostas do Executivo, movimentos como os ligados ao site “Em Defesa do Comunismo” defendem uma atuação autônoma e alertam contra o alinhamento irrestrito ao governo.

O protesto é descrito como suprapartidário e a escolha do horário — 18h — visa facilitar a presença de trabalhadores após o expediente.


Manifestação pelo Brasil

Além de São Paulo, manifestações estão confirmadas em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza, Curitiba, Brasília e Salvador.

Não há estimativa oficial de público para o ato de amanhã, mas manifestações recentes na mesma região, como a de março contra a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, reuniram 6.600 pessoas, segundo monitoramento da USP.

A convocação pública do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) e a presença de entidades como CUT, MST e UNE indicam a amplitude da mobilização.

Ao centrar críticas no Congresso e manter distância estratégica do governo federal, o protesto pretende reforçar a atuação independente dos movimentos sociais, mesmo entre setores historicamente próximos ao Planalto.

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