Jorge Guaranho, assassino de Marcelo Arruda, ostenta apoio a Bolsonaro na internet
Reprodução/Redes Sociais - 11.07.2022
Jorge Guaranho, assassino de Marcelo Arruda, ostenta apoio a Bolsonaro na internet

O agente penal Jorge José da Rocha Guaranho, que atirou no militante petista Marcelo Arruda na noite de sábado, em Foz do Iguaçu (PR) , exibe apoio constante a Jair Bolsonaro e um "script" comum a outros apoiadores do presidente nas redes sociais. Arruda morreu nas primeiras horas de domingo.

Arruda foi morto durante a comemoração do seu aniversário, cujo tema era o Partido dos Trabalhadores. Segundo testemunhas, o autor do crime gritou "aqui é Bolsonaro" em tom de ameaça antes dos disparos.

No Twitter, a devoção de Guaranho começa em sua descrição de perfil. Ele se define como "policial penal federal, conservador e cristão", cita Bolsonaro e defende armas como método de defesa. A última publicação compartilhada por Guaranho é do ex-presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, associando o Partido dos Trabalhadores a criminosos.

Guaranho ostenta fotos com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do presidente, em estande de tiros e com produtos em homenagem ao presidente. Ele costuma interagir com perfis alinhados ao bolsonarismo, como comentaristas políticos, influenciadores e autoridades federais.

Por meio de etiquetas em sua foto de perfil, o agente penal declarou voto em Bolsonaro nas eleições de 2018. Ajudou a divulgar um mutirão de assinaturas para a criação do Aliança pelo Brasil, legenda que o presidente tentou criar. E também endossou uma crítica de um usuário do Facebook a uma versão afro-americana do Super Homem. Pregou algumas vezes contra a violência doméstica. Em geral, Guaranho replica manifestações de bolsonaristas contra adversários políticos.

Ao longo deste domingo, suas publicações no Facebook e no Twitter (o perfil do Instagram é fechado) começaram a receber uma enxurrada de comentários negativos. Vinham de pessoas que se solidarizavam com a vítima — e que pediam justiça. As informações iniciais da polícia davam conta de que o autor do ataque havia morrido no local do crime, mas foram depois corrigidas. Ele segue internado, de acordo com a delegada Iane Cardoso, da Polícia Civil de Foz do Iguaçu, e seu estado, até a noite de domingo, era "estável".

Após manifestações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), da senadora Simone Tebet (MDB), pré-candidatos à presidência, e de outras lideranças políticas, Bolsonaro se manifestou sobre o caso de forma indireta, às 19h15 deste domingo. Sem citar diretamente o episódio, ele escreveu um tuíte em que afirma dispensar "qualquer tipo de apoio de quem pratica violência contra opositores" e que "a esse tipo de gente, peço que por coerência mude de lado e apoie a esquerda".

Bolsonaro citou a facada que recebeu durante a campanha eleitoral de 2018 para dizer que a violência vem do "lado de lá". Usuários no Twitter criticaram especialmente o presidente por, dias antes do atentado, ter empunhado um tripé de câmera como arma durante um comício em Rio Branco e defendido "fuzilar a petralhada do Acre".

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