Jair Bolsonaro
Isac Nóbrega/PR - 08/06/2022
Jair Bolsonaro

Pauta de costumes, manutenção da Zona Franca de Manaus e defesa de CPI na Petrobrás estiveram entre os assuntos comentados pelo presidente Jair Bolsonaro neste sábado, durante passagem por Manaus (AM), em dois eventos religiosos e uma motociata em clima de eleição. O assassinato do indigenista Bruno e Pereira e do jornalista Dom Phillips, ocorrido no Vale do Javari, dentro do município de Atalaia do Norte (a 1200 quilômetros de Manaus) foi ignorado nos pronunciamentos.

"Para falar uma palavra só sobre economia: o governador (Wilson Lima) é testemunha de como tem aumentado a produção e a montagem de motos aqui na Zona Franca de Manaus", afirmou durante discurso de quatro minutos na comemoração do 24° Congresso Internacional da Visão Celular no Modelo dos 12, realizado pelo Ministério Internacional da Restauração (MIR), no Sambódromo.

"Estimulamos o uso desse meio e a Zona Franca que é de 1967, época de Castello Branco, o primeiro presidente militar. Não seria eu, o sexto capitão exército que trataria de forma diferente a Zona Franca de Manaus, em grande parte, responsável por manter a Amazônia Brasileira longe da cobiça internacional", completou Bolsonaro.

A indústria de motocicletas registrou alta de 37,8% na fabricação de modelos novos sobre o primeiro trimestre de 2021. Segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), este ano foram 327.139 unidades produzidas. No mesmo período do ano passado, esse número foi de 237.401 unidades. Desde fevereiro, o presidente assinou quatro decretos reduzindo incentivos fiscais para a produção industriais no Brasil, inclusive a instalada em Manaus, cuja garantia do modelo de incentivo está prevista por meio de Emenda Constitucional até 2073.

O apóstolo Renê Terra Nova, responsável pelo MIR e aniversariante do dia, abriu o evento afirmando que a Biblía “ordena que devemos orar pelas autoridades constituídas e trabalhar em prol da prosperidade do País”.

Ao final do dicurso, Bolsonaro agradeceu a população do Estado por acreditarem na pátria, no valor da família, por ser contra o aborto, a ideologia de gênero e a liberação das drogas. “A família é célula da sociedade; uma família perfeita, ajustada é mais do que lucrativa para o Estado, ela é a certeza que o estado será sempre soberano e livre”.

A mesma tônica foi usada no discurso mais cedo, no início da tarde, durante o Ato de Unção Apostólica da igreja evangélica Ministério Internacional da Restauração (MIR), em Manaus, onde o presidente destacou o tema “liberdade”, em referência ao sistema de votos, ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à imprensa, conforme transmissão feita pela TV Brasil.

"Eu não quero ser escravizado, não quero ver a minha família, que é meu patrimônio, assim como as famílias de vocês, tendo sua liberdade castrada, que seja escravizada, que se transforme em vegetais neste lindo e rico país maravilhoso", afirmou.

No evento, o presidente voltou a fazer críticas ao TSE, afirmando que "não vai bater em retirada", se referindo à participação das Forças Armadas na Comissão de Transparência das Eleições criada pelo tribunal.

A exemplo do que ocorreu durante a Marcha para Jesus, ocorrida no final de maio e que também contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, o governador Wilson Lima foi vaiado pelos participantes.

Motociata

Em clima de eleição, apoiadores do presidente aglomeram-se em uma das vias do Complexo da Ponta Negra, ponto turístico de Manaus, para a concentração da motociata organizada por movimentos de direita do Amazonas. A organização do evento divulgou a participação de 12 mil pessoas. A Polícia Militar, no entanto, informa cerca de 2,4 mil participantes.

O vendedor ambulante Georges Ribeiro Maia, 51, fez questão de participar do evento, mas não para trabalhar. Ele pedalou mais de 10 quilômetros de bicicleta do local onde mora, na Zona Centro-Sul, até a concentração, na Zona Oeste da cidade. “Estamos junto com ele, vim parabenizar o trabalho dele, a hombridade dele porque não é fácil lutar contra todos esses ‘cleptomaníacos’”. Embora se declare evangélico e frequentador do Ministério daRestauração, disse não estar sabendo do evento no Sambódromo.

Jingles de apoio ao “capitão” em diversos ritmos – funk, forró, pisadinha e sertanejo – com alusão às eleições de 2022 e palavras ofensivas à esquerda foram entoados durante o aquecimento. Várias infrações de trânsito foram notadas pela reportagem a exemplo da falta do uso de capacete por alguns manifestantes, venda e consumo de álcool e estacionamento de caminhonetes e motocicletas na calçada. O Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) responsável pela fiscalização do trânsito, informou estar com 107 agentes de trânsito operando durante todo o evento, mas não confirmou o número de autuações até o fechamento da matéria.

Pela manhã, o presidente não compareceu para cumprimentar os apoiadores no saguão do aeroporto internacional Eduardo Gomes. Aproximadamente cem pessoas ocupavam a estrutura montada para receber mais pessoas.

O auxiliar de produção Claudio Henrique da Silva Lopes, 21, disse que foi ao local para ver o rapper L7, com show marcado para este sábado em Manaus, mas que ficou curioso com a possibilidade de encontrar o presidente.

"Nunca vi ele de perto. Eu votei nele para melhorar o Brasil, mas deu uma caída nos últimos tempos", disse.

Henrique está há um ano empregado em uma fábrica do Distrito Industrial de Manaus. Perguntado sobre o que acha a respeito dos decretos que reduzem o incentivo para a produção industrial, disse não acompanhar notícias a respeito, pediu licença entrou no cercadinho para aguardar o presidente.

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