Bolsonaro diz esperar por eleições limpas
Reprodução/Facebook - 15.05.2022
Bolsonaro diz esperar por eleições limpas


O presidente Jair Bolsonaro não respondeu nesta quinta-feira se aceitará o resultado das urnas nas eleições deste ano, caso ele não seja reeleito. Questionado por jornalistas, ele apenas disse que "espera eleições limpas".

“Democraticamente, eu espero eleições limpas”, afirmou.

Bolsonaro deu as declarações na saída da Capela São Pedro Nolasco, na Vila Telebrasília, onde, segundo O GLOBO apurou, gravou a participação na propaganda partidária do PL, seu partido.

O presidente também foi questionado se confia nas urnas, mas disse que isso era "resposta para outro dia". O presidente tem intensificado os ataques ao sistema eleitoral e tem dado seguidas declarações levantando suspeitas sobre a confiabilidade no sistema. 

No início do mês, por exemplo, afirmou que o PL contrataria uma empresa para fazer uma auditoria nas eleições deste ano. Como mostrou a colunista do GLOBO Malu Gaspar, a declaração causou desconforto dentro do partido.

“Estamos fazendo o possível, as Forças Armadas são confiáveis. Não apenas as Forças Armadas, a PF também faz parte do convite para integrar a comissão de transparência eleitoral, o TCU faz parte disso. Temos conversado”, afirmou Bolsonaro nesta quinta-feira.

A participação das Forças Armadas na Comissão de Transparência Eleitoral (CTE) tem sido usada por Bolsonaro para levantar suspeitas, sem provas, sobre a segurança das urnas eletrônicas. A insistência no assunto fez com que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, subisse o tom. Ele afirmou que a Justiça Eleitoral está "aberta a ouvir, mas jamais se curvará a quem quer que seja" e que "quem trata de eleições são forças desarmadas". 

O ministro também afirmou que “quem duvida do processo eleitoral é porque não confia na democracia” e que “quem defende ou incita a intervenção militar está praticando ato de afronta à Constituição e à democracia''.

Em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, o presidente tentará a reeleição, e busca com os ataques ao STF e às urnas mobilizar os seus apoiadores mais fiéis.

Fachin comandará o TSE até agosto, às vésperas das eleições. Em seu lugar, assumirá o Tribunal o ministro Alexandre de Moraes, alvo de críticas e ataques do presidente da República. 

O ministro conduz inquéritos na Corte que têm entre os alvos o presidente. Nesta quinta-feira, Bolsonaro foi questionado se achava afirmou que o ministro era parcial para assumir a Corte, e respondeu: "Totalmente parcial" .

“Totalmente parcial, não tenho dúvida disso. Os próprios atos dele bem demonstram. Você não vê um ataque meu”, disse.

Bolsonaro apresentou uma ação no STF contra o ministro Alexandre de Moraes por abuso de autoridade. O presidente afirmou que o ministro teria realizado “sucessivos ataques à democracia, desrespeito à Constituição e desprezo aos direitos e garantias fundamentais”.

A notícia-crime foi encaminhada ao ministro Luiz Fux, presidente da Suprema Corte, e enumerava cinco justificativas que, na avaliação do presidente, fundamentavam a ação contra o ministro.

Entre elas, Bolsonaro citou a “injustificada investigação no inquérito das Fake News, quer pelo seu exagerado prazo, quer pela ausência de fato ilícito”. O inquérito é conduzido por Moraes e Bolsonaro é um dos investigados.

A ação também pontuou que mesmo após a PF ter concluído que o presidente da República não teria cometido crime em sua live sobre as urnas eletrônicas, Moraes “insiste em mantê-lo como investigado”. No ano passado, Bolsonaro realizou uma live para promover teorias da conspiração contra a segurança das urnas eletrônicas.

Na ocasião, ele divulgou nas redes sociais a íntegra de um inquérito da Polícia Federal que apurou suposto ataque às urnas em 2018, que não representou risco às eleições. A publicação resultou em uma nova investigação contra o presidente por suposto vazamento de dados sigilosos.

A ação não durou um dia no STF. Nesta quarta-feira, o ministro Dias Toffoli negou a notícia-crime com o argumento de que os fatos descritos na ação não trazem indícios de possíveis delitos cometidos por Moraes. No mesmo dia, Bolsonaro entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Moraes.

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