O ex-governador João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB)
Reprodução/O Globo - 10.05.2022
O ex-governador João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB)

Ainda que não haja otimismo entre partidos de centro sobre um pacto da terceira via, PSDB, Cidadania e MDB continuam a discutir o lançamento de uma candidatura única no próximo dia 18. Líderes que acompanham as negociações consideram o nome da senadora Simone Tebet (MDB-MS) mais “viável” em razão da alta rejeição do ex-governador João Doria (PSDB) nas pesquisas de intenção de voto. Nos últimos dias, Tebet tem feito sinalizações a interlocutores de Doria de que o aceitaria como vice na tentativa de desfazer o impasse para a escolha de um nome de centro.

A avaliação do entorno da senadora é que a reprovação do tucano não atrapalha na condição de vice. Os legados que deixou à frente do governo de São Paulo, como o desempenho econômico acima da média do país e a vacina Coronavac, dizem, falariam mais alto. Para o MDB, o principal, porém, é que os tucanos trariam mais tempo de televisão à campanha de Tebet, fundamental para torná-la conhecida do eleitorado. Além disso, emedebistas dizem que a aliança facilita composições entre os dois partidos em estados como o Rio Grande do Sul, onde Gabriel Souza (MDB) é cotado para ser vice de Eduardo Leite (PSDB).

Em outros locais, como São Paulo, os dois partidos têm convergências, o que torna a chapa factível — as siglas costuram um acordo para que o vice do governador Rodrigo Garcia seja o ex-secretário municipal de Saúde Edson Aparecido, que recentemente saiu do PSDB para se filiar ao MDB com o aval da cúpula tucana.

Disputa por critérios

Aliados de Doria, no entanto, rechaçam a possibilidade da vice-presidência e defendem que o tucano seja o cabeça de chapa porque, segundo eles, teria mais atributos no “currículo”, como sua gestão na prefeitura de São Paulo e no Palácio dos Bandeirantes, enquanto Tebet tem a experiência administrativa como prefeita de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.

Além disso, pontuam que a campanha de Doria teria mais estrutura e recursos, já que a verba prevista no PSDB para candidato à Presidência da República é de R$ 65 milhões — por mais que haja uma ala do partido defendendo que o dinheiro seja concentrado nas candidaturas aos governos estaduais e a eleição de bancada no Congresso. No MDB, a campanha de Tebet é estimada em R$ 30 milhões, sendo que a maior parte dos recursos sairá do fundo eleitoral e partidário das mulheres.

Dirigentes dos partidos admitem nos bastidores que os próprios pré-candidatos não abrem mão da cabeça de chapa, mesmo que sofram resistência interna em seus partidos. Afirmam que, tanto no MDB quanto no PSDB, uma candidatura única ajudaria a frear a adesão de integrantes das siglas a um dos lados da polarização. Como O GLOBO mostrou domingo, a senadora divide palanques com o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro no Distrito Federal e em estados como Roraima e Santa Catarina, entre outros. No caso de Doria, candidatos a governador como Eduardo Riedel (PSDB-MS) e Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) fazem uma série de acenos para Bolsonaro.

Lideranças entendem que dificilmente se chegará a um consenso sobre um nome até o dia 18. Mas acreditam que, até lá, é possível definir os critérios para a escolha, o que é motivo de divergências. Doria quer que a decisão leve em consideração o desempenho nas pesquisas quantitativas, já que na média delas o paulista pontua melhor que Tebet. O grupo da senadora, contudo, argumenta que ela não só tem pouca rejeição como pode ir além, já que dialoga com o público feminino, o mais indeciso, segundo as pesquisas de intenção de voto.

Em meio a tantas dificuldades, as siglas devem intensificar as conversas na tentativa de evitar a fragmentação das candidaturas, o que avaliam que só tornaria mais estreito o espaço para o centro diante da polarização. No entanto, esse cenário hoje é citado como mais provável.


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