Sergio Moro foi preterido pelo União Brasil na disputa pela presidência do país
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Sergio Moro foi preterido pelo União Brasil na disputa pela presidência do país

Mesmo após o União Brasil confirmar o presidente da sigla e deputado Luciano Bivar como pré-candidato ao Palácio do Planalto, o ex-juiz federal Sergio Moro pretende manter sua rotina de viagens pelo país. Há agendas programadas em Minas Gerais e Santa Catarina para as próximas semanas. Embora diga a interlocutores que não é postulante a nenhum cargo desde que foi preterido pela sigla, o ex-magistrado adota o discurso protocolar de que estará à disposição do União Brasil para o que precisar. Ele rechaça, porém, a possibilidade de concorrer a deputado federal, como já foi especulado por alguns de seus correligionários.

O ex-juiz também tem buscado se aproximar da cúpula do partido. Na quinta-feira, quando Comissão Executiva Nacional do União Brasil chancelou o nome de Bivar, Moro almoçou em São Paulo como vice-presidente da sigla, Antonio de Rueda. Com a oficialização do nome de Bivar na prateleira dos pré-candidatos, Bivar assumirá as negociações com as demais siglas de centro, como PSDB, MDB e Cidadania sobre a possibilidade de uma candidatura que unifique esse campo ideológico.

Na próxima semana, Moro tem um encontro previsto com Bivar em São Paulo. Na ocasião, os dois devem se encontrar com empresários. Interlocutores de ambos defendem que o ex-juiz passe a comparecer em eventos ao lado de Bivar neste momento de pré-campanha. O argumento é que, embora Moro em frente resistência dentro do partido, é um ativo eleitoral do qual o União Brasil não pode abrir mão neste momento. 

Aliados de Moro dizem que a sigla deverá arcar com as despesas das viagens para além do ex-juiz mesmo depois de ele ser retirado do páreo presidencial. Procurado oficialmente, porém, o partido não se manifestou sobre o tema.

Pessoas próximas ao ex-magistrado ainda torcem por uma reviravolta que o coloque novamente na lista de pré-candidatos ao Palácio do Planalto, possibilidade cada vez mais remota. Isso dependeria da desistência de Bivar e da formação de um consenso na sigla em torno do nome de Moro, o que não ocorreu até agora. Pelo contrário. Nomes importantes da legenda como o do ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia ACM Neto e o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, divulgaram uma nota pública em que deixaram claro que não aceitariam Moro na cabeça de chapa presidencial pelo União Brasil. Outro complicador para o ex-ministro, o União Brasil negocia com o PSDB e com o MDB, partidos que também têm presidenciáveis, uma candidatura única, a ser anunciada no dia 18 de maio.

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Moro tem afirmado que neste momento não é candidato a nenhum cargo, mas, nos bastidores, seu entorno trata a disputa pelo Senado como o caminho mais provável. A ideia, no entanto, não é bem vista por todos do partido. De acordo com dirigentes e parlamentares do União, tê-lo como postulante ao Senado é uma estratégia arriscada, já que o ex-juiz poderia trocar de legenda durante o mandato de oito anos — diferente de uma vaga na Câmara, em que ficaria sujeito às regras de fidelidade partidária. Moro, contudo, diz reiteradamente que não cogita disputar uma vaga de deputado.

Pesquisas de intenção de voto apontavam Moro, então pré-candidato pelo Podemos, partido do qual saiu recentemente para se filiar ao União Brasil, entre terceiro e quarto lugar na corrida pelo Palácio do Planalto.

A decisão do partido de lançar Bivar foi uma estratégia para que a legenda negocie "em pé de igualdade" com PSDB e MDB, que já têm nomes colocados na corrida pelo Palácio do Planalto: o ex-governador de São Paulo João Doria e a senadora Simonte Tebet, de Mato Grosso do Sul, respectivamente.

O partido de Bivar, resultado da fusão de PSL e DEM, é o que tem a maior fatia do Fundo Eleitoral (R$ 770 milhões) e mais tempo de TV, o que o coloca em vantagem nas negociações.

Após a oficialização da pré-candidatura de Bivar na quinta-feira, Moro, no twitter,  disse apenas que segue um "soldado da democracia" e defendeu aglutinação das candidaturas para construir uma alternativa à polarização entre o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Bolsonaro (PL).

 "O União Brasil escolheu o seu pré-candidato à Presidência, Luciano Bivar. Espera-se que os demais partidos também possam definir, com clareza, os seus pré-candidatos. Sigo como um soldado da democracia, estimulando a composição para romper a polarização politica", escreveu o ex-juiz.

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