Presidente da CCJ, Davi Alcolumbre
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Presidente da CCJ, Davi Alcolumbre

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) se defendeu nesta quarta-feira de críticas que, segundo o parlamentar, alegavam que a demora em pautar a sabatina de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal (STF) seria em relação à religião do ex-advogado-geral da União, que é pastor evangélico. Alcolumbre, que é de origem judaica, afirmou que a narrativa de “um judeu perseguindo um evangélico” chegou ao seu estado, o Amapá, e que a resposta à indicação de Mendonça “nunca foi um embate religioso e nem deve ser”.

"Muitas das vezes, eu confesso que me senti ofendido, quando em alguns episódios nesse embaraço todo de sabatina, de reunião, de deliberação, chegaram a envolver a minha religião. (...) Um judeu perseguindo um evangélico? Essa narrativa chegou ao meu estado, e eu tenho uma relação com todas as igrejas. O Estado brasileiro é laico" afirmou o presidente da CCJ, e acrescentou:

"A minha relação com o povo evangélico é extraordinária no meu estado. (...) Chegou-se ao cúmulo de transformar uma decisão política e institucional em um embate religioso. É inadmissível isso. (...) Nunca foi um embate religioso e nem deve ser."

Depois de quatro meses, o presidente da CCJ anunciou nesta quarta-feira que irá pautar a sabatina de André Mendonça, indicado “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), para a próxima semana.

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"Ele é sim extremamente evangélico, é pastor evangélico. Já falei que só faço um pedido para ele que uma vez por semana ele comece a sessão com oração. Isso está fechado" disse Bolsonaro na época da indicação.

Após a fala de Alcolumbre sobre os ataques que teria recebido, diversos senadores, como Espiridão Amin (PP-SC), Eduardo Braga (MDB-AM), Rogério Carvalho (PT-SE) e Simone Tebet (MDB-MS), se solidarizaram com Alcolumbre, mas reiteraram as demais críticas à demora para pautar a sabatina.

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) sugeriu ao presidente da CCJ que a sabatina seja marcada para o dia 30, data em que é comemorado, em Brasília, o Dia do Evangélico, como uma forma de mostrar que não há entraves de Alcolumbre em relação à religião de Mendonça.

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