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Os embates judiciais entre procuradores, juízes e réus da Lava-Jato que deram o tom da política brasileira nos últimos sete anos vão migrar do tribunal para as urnas nas próximas eleições. De um lado, ex-procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e o ex-juiz Sergio Moro; do outro, nomes conhecidos da política, investigados ou até condenados por corrupção, que se enfrentarão na busca por votos. Todos terão o desafio de se reposicionar eleitoralmente e construir uma narrativa própria sobre o período de investigação.

Enquanto os representantes da Lava-Jato estreiam nas urnas, nomes conhecidos da operação, como os ex-senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Eunício Oliveira (MDB-CE), e os ex-governadores Fernando Pimentel (PT), de Minas, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, planejam retornar à vida pública após serem alvos de acusações.

A eleição de 2018 deixou de fora políticos experientes como Eunício e Jucá. Os dois perderam as disputas ao Senado, mas mantiveram a influência nos diretórios do MDB nos estados. Eunício prepara a sua volta como deputado federal, segundo interlocutores do emedebista.

Para o procurador aposentado da Lava-Jato Carlos Fernando dos Santos Lima, a candidatura de integrantes da força-tarefa é resultado da tentativa de deslegitimação por parte da classe política.

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"Como aconteceu na operação Mãos Limpas, a reação da classe política de deslegitimação das investigações leva a uma situação em que aqueles que querem fazer algo positivo buscam um caminho na política. Conheço Moro e (Deltan) Dallagnol (ex-coordenador da força-tarefa de Curitiba) há 20 anos e sabia que a política não fazia parte do horizonte de ambos", disse.

Carlos Fernando atua atualmente como advogado. Entrou no MPF em 1995 e era o mais experiente integrante da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba. Além de Moro, disposto a se lançar ao Planalto, e Dallagnol, que avalia uma candidatura à Câmara dos Deputados, lideranças do Podemos querem o procurador aposentado como candidato a deputado federal no Paraná. Ele desconversa e afirma que a política não é uma prioridade no momento.

O cientista político Malco Braga Camargos, professor da PUC Minas, avalia que as candidaturas de Moro, Dallagnol e de outros membros de operações de combate à corrupção devem disputar o eleitorado do atual presidente Jair Bolsonaro e daqueles que se desiludiram com o atual mandatário desde a última eleição. Mas ele avalia que o próximo pleito não terá como foco a narrativa de combate à corrupção.

"Na eleição passada, os integrantes da Lava-Jato teriam mais chances de ser eleitos do que agora, dado que eram protagonistas da discussão política daquela época. Teremos uma polarização exacerbada, com pouco espaço para uma alternativa. O debate entre Moro e Lula poderá fazer com que esse discurso se dê no âmbito nacional, mas as eleições proporcionais e aos governos deverão seguir outra lógica", afirma.

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