Bolsonaro
José Dias/PR
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A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiaram as a gressões a jornalistas brasileiros que acompanhavam a viagem do presidente Jair Bolsonaro em Roma, na Itália.  Bolsonaro viajou para a capital italiana para participar da cúpula do G-20. O evento terminou no domingo, mas o presidente tem agenda no país até terça-feira.

Em nota, a ANJ disse repudiar com veemência e indignação as agressões, acrescentando que a ''violência contra os jornalistas, na tentativa de impedir seu trabalho, é consequência direta da postura do próprio presidente, que estimula com atos e palavras a intolerância diante da atividade jornalística".

"É lamentável e inadmissível que o presidente e seus agentes de segurança se voltem contra o trabalho dos jornalistas, cuja missão é informar aos cidadãos. A agressão verbal e a truculência física não impedirão o jornalismo brasileiro de prosseguir no seu trabalho", acrescenta a nota.

A ANJ disse ainda esperar que os atos de violência cometidos contra os jornalistas na capital italiana sejam apurados e os culpados, punidos.

"A impunidade nesse e em outros episódios é sinal de escalada autoritária'', reforça a associação.

Por sua vez, a Abraji afirma repudiar mais esse ataque à imprensa envolvendo a maior autoridade do país.

"Ao não condenar atos violentos de seus seguranças e apoiadores a jornalistas que tão somente estão cumprindo seu dever de informar, o presidente da República incentiva mais ataques do gênero, em uma escalada perigosa e que pode se revelar fatal", ressalta.

A Abraji lembra ainda que atacar profissionais da imprensa é uma prática recorrente do governo Bolsonaro que, assim como qualquer outra administração, está sujeito ao escrutínio público

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"É dever da imprensa informar à sociedade atos do poder público, incluindo viagens do presidente no exercício do mandato. E a sociedade, por meio do art 5º da Constituição, inciso XIV, tem o direito do acesso à informação garantido", acrescenta a nota.

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As agressões aos repórteres

No domingo, uma tentativa de Bolsonaro fazer mais um passeio por Roma, como nos dois dias anteriores, terminou em confusão após seguranças presidenciais e agentes do Estado italiano agredirem jornalistas brasileiros que acompanham a viagem. Bolsonaro também tratou de forma hostil os jornalistas.

Os agentes agrediram repórteres com socos e empurrões, tomaram o celular de um deles e seguraram insistentemente as mochilas dos profissionais para tentar impedir que eles registrassem o passeio de Bolsonaro por uma das principais ruas do centro histórico da capital italiana.

Agentes italianos, cedidos pelo governo local, anfitrião do G-20, dão apoio à segurança de Jair Bolsonaro desde que ele desembarcou no país, na última sexta, dia 29.

Ao perguntar o motivo de o presidente não ter participado de alguns eventos do G-20 com outros líderes, o correspondente da Globo, Leonardo Monteiro, recebeu um soco no estômago e foi empurrado com violência por um segurança. A TV Globo divulgou comunicado em que repudiou a violência. E o jornal O GLOBO publicou uma nota editorial de repúdio.

Um jornalista do UOL afirmou que foi tentar filmar a violência contra os colegas e tentar identificar o agressor, mas o segurança o empurrou, o agarrou pelo braço para torcê-lo, e levou o celular. Instantes depois, o segurança jogou o aparelho num canto da rua.

Jornalistas da Folha de S. Paulo e da BBC Brasil também foram empurrados e ameaçados.

No sábado, policiais italianos já tinham ameaçado jornalistas brasileiros que tentavam acompanhar o passeio de Bolsonaro pelas ruas próximas à embaixada, uma região sempre repleta de turistas. Um deles foi Lucas Ferraz, que está trabalhando na cobertura do G-20 para o jornal O GLOBO.

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