O ex-chanceler Ernesto Araújo
Agência Brasil
O ex-chanceler Ernesto Araújo

Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores, pode entrar na lista de indiciados da CPI da Covid. Segundo informações do colunista Jamil Chade, do UOL, senadores veem ao menos dois motivos para citá-lo no relatório final da comissão - não aderir ao Covax e utilizar a da máquina pública para promover desinformação sobre a pandemia.

Araújo pode ser citado por supostas infrações sanitárias, charlatanismo e estímulo à propagação da doença.

Após o lançamento da Covax, consórcio criado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para distribuição de vacinas, Araújo optou por deixar o Brasil fora do plano em nome de uma soberania nacional.

A ideia do chanceler era de que instituições internacionais não deveriam ser protagonistas das questões relativas à pandemia no país, temendo um suposto enfraquecimento da soberania nacional. Ao redor do mundo, havia uma ofensiva do ex-chanceler contra o que ele chama de "globalismo".

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Pouco tempo depois, o Brasil acabou integrando a iniciativa, mas optou por comprar o menor número de doses - de 86 milhões oferecidos pelo Covax, reservou-se apenas 43 milhões. As lideranças do país sequer participaram da primeira reunião na OMS, em abril de 2020.

O uso do Instituto Rio Branco e da Fundação Alexandre de Gusmão, que estão sob o comando do Itamaraty, para difundir informações duvidosas sobre a pandemia também pode pesar contra Ernesto Araújo. As entidades foram palco para eventos negacionistas, que questionavam medidas básicas que evitam o contágio pela covid-19, como o uso de máscaras e o confinamento.

Os convidados afirmavam que as medidas interferiam nas liberdades individuais dos brasileiros. As orientações científicas dadas pela OMS também eram questionadas.

Após a saída do cargo, Ernesto Araújo pediu licença remunerada de três meses. Ao fim desse período, se licenciou por um ano, sem remuneração. A expectativa no ministério é de que ele esteja se preparando para lançar uma candidatura em 2022.

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