Otávio Fakhoury
Leopoldo Silva/Agência Senado
Otávio Fakhoury

A defesa da coligação eleitoral do presidente Jair Bolsonaro em 2018 pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que seja colhido o depoimento do empresário bolsonarista Otávio Fakhoury, para que ele apresente esclarecimentos sobre o pagamento a gráficas para a produção de material de campanha do candidato, sem declaração à Justiça Eleitoral.

O fato está sob análise nas ações de investigação judicial eleitoral abertas pelo TSE para apurar se empresários bancaram disparos de mensagens em massa no WhatsApp para favorecer a campanha de Bolsonaro em 2018. Os pagamentos feitos por Fakhoury, revelados pelo GLOBO , poderiam configurar prática de caixa dois caso ficasse comprovado que o candidato tinha conhecimento, segundo especialistas ouvidos pelo GLOBO, mas a defesa argumentou ao TSE que se tratou de uma contribuição espontânea para a campanha.

A defesa afirma que a campanha "não tomou conhecimento ou concedeu anuência da confecção de material em seu favor por parte do empresário. Além do mais, é possível auferir que o empresário, de maneira cara e incontroversa, já havia afirmado que as notas fiscais se referem ao pagamento de despesas de amigos envolvidos em movimentos sociais". Sobre esse fato, o Ministério Público Eleitoral apontou que os valores pagos, de R$ 53 mil, representam um baixo valor em comparação ao total da despesa da campanha, de R$ 2,4 milhões, por isso não seria suficiente para configurar irregularidade.

Leia Também

Ainda assim, a defesa da campanha afirmou ao TSE que é necessário tomar o depoimento de Fakhoury para esclarecer o caso. "É fundamental que se leve ao exaurimento a fase instrutória, uma vez reaberta e em curso, para que seja concluída de maneira satisfatória, a partir da robusta quantidade de informações trazidas a estes autos. Ante o exposto, requer que seja colhido o depoimento do empresário Otávio Oscar Fakhoury, como forma de esclarecer e afastar definitivamente qualquer conduta ilícita", escreveu a advogada Karina Kufa.

Fakhoury foi alvo do inquérito dos atos antidemocráticos e também entrou na mira da CPI da Covid. Em seu depoimento à comissão, foi confrontado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES) por uma postagem homofóbica feita em rede social contra o senador.

Os serviços, contratados pelo empresário, consistiram na impressão de 560 mil itens de propaganda eleitoral de Bolsonaro como panfletos e adesivos com foto do candidato, o número da chapa e a proposta de campanha. Procurado, o empresário confirma a existência dos documentos, mas diz que eles se referem a "despesas de amigos que fazem parte de movimentos sociais".

"Por não se tratarem de doação à campanha do candidato, não comuniquei a ele, à coordenação da campanha ou a pessoas próximas a ele sobre esses pagamentos. No mais, reitero que todas as minhas contribuições de campanhas eleitorais foram regularmente declaradas aos órgãos eleitorais competentes", afirmou Fakhoury na ocasião, por meio de nota.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários