Procurador-geral da República, Augusto Aras
Marcos Oliveira/Agência Senado
Procurador-geral da República, Augusto Aras



Na cerimônia de sua recondução à Procuradoria-Geral da República, Augusto Aras fez críticas ao uso político e ideológico do cargo, prestou conta de seus primeiros dois anos à frente do Ministério Público e disse que enfrentou duas grandes operações por mês sem estrépito (barulho), sem escândalo e com respeito às garantias individuais. Ele agradeceu ao presidente Jair Bolsonaro, que acompanhou a posse solitário numa sala no Palácio do Alvorada, onde cumpre quarentena em função da infecção do ministro Marcelo Queiroga. Aras estava no Palácio do Planalto, numa sala, com alguns convidados.

"Nós compreendemos que todo poder emana do povo e os eleitos são vossa excelência senhor presidente, senhores parlamentares. E nós ocupamos este cargo por delegação de vossas excelências, que confiam nesses quadros que se dispõem a servir à Pátria", disse Aras, agradecendo ao presidente por sua recondução e aos senadores, que aprovaram seu nome.

O procurador falou sobre vícios e virtudes que "zunem" os ouvidos humanos e alertou que quem está no poder precisa evitar a "mosca azul" e ter autocontrole no cargo.

"A mosca azul machadiana paira sobre qualquer um que exerça parcela de autoridade e poder, sendo necessário o repelente, a prudente autocontenção institucional",  disse Aras.

Alvo de críticas nestes dois anos, apontado pela oposição como um protetor de Jair Bolsonaro, Aras afirmou que é necessário ter autocontrole para que seja coibida a "indevida militância partidária ou eventualmente ideológica", que, para ele, prejudicam a imparcialidade com que se deve atuar. Esse controle, disse também, favorece o discernimento entre o combate à criminalidade na política e a criminalização de atos políticos.


"Distorção que parte de uma incompreensão dos que deixaram de perceber a política como atividade que diz respeito, sobretudo, à resolução dos conflitos coletivos. Quem não faz política, faz guerra. E nós não queremos paz, queremos paz e harmonia sociais", disse. 

A posse de Aras foi uma cerimônia reservada e sem publicidade nem mesmo a integrantes da cúpula da PGR.

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