Tasso Jereissati (PSDB-CE)
Marcos Oliveira/Agência Senado
Tasso Jereissati (PSDB-CE)

O senador Tasso Jereissati (CE) admitiu que pode haver só um nome para enfrentar o governador de São Paulo, João Doria, nas  prévias do PSDB, marcadas para 21 de novembro, cuja disputa interna indicará um nome da sigla para concorrer às eleições de 2022. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, publicada neste domingo (29), o ex-presidente do partido assentiu sobre a possibilidade de uma aliança com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e com o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio. Jereissati ainda reconheceu que Doria é o favorito na disputa interna.

Ao jornal, Jereissati ressaltou a afinidade com Leite e Virgílio. "Estamos fazendo um esforço muito grande para termos uma candidatura só nas prévias que possa competir com o Doria. Evidentemente que Doria, como governador de São Paulo, onde o partido é maior, leva vantagem. Ele polariza dentro do partido. Para haver uma competição justa no PSDB, fazer alianças é importante. A probabilidade de uma aliança com Eduardo Leite e Arthur é grande", afirmou. O tucano ainda se disse surpreso ao saber que Doria declarou, no programa Roda Vida, da TV Cultura, que ele havia desistido das prévias do PSDB.

O tucano criticou o cenário econômico e avaliou que a elite financeira e empresarial do país demorou para reagir ao presidente Jair Bolsonaro. “Essa crise institucional que vem da Presidência da República é a gota d’água que está causando um pessimismo gigantesco na economia. E ainda o próprio ministro da Economia dando declarações desastrosas. Estamos vivendo a tempestade mais que perfeita. É lastimável, mas tudo isso poderia ter sido evitado”, declarou.

Questionado sobre por que se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Fortaleza, na última segunda-feira (23), ele explicou que o "diálogo é fundamental" e que essa não foi a primeira vez que esteve com ele. "Todos os homens de bom senso deste país sabem que o ódio e o radicalismo não levam a coisa alguma". O tucano disse que, se o PSDB ganhar a eleição, precisará governar com o PT.

Apoio
Leite fez mais um aceno no sábado (28) na tentativa de receber o apoio de Jereissati nas prévias do PSDB. Em suas redes sociais, o governador do Rio Grande do Sul disse que não haverá enfrentamento de sua pré-candidatura com a do senador do Ceará.

"Tasso é uma das minhas grandes referências no PSDB. O que fez pelo Ceará como governador e o que faz pelo Brasil no Senado o tornam indispensável na política nacional. Sua pré-candidatura à presidência tem o meu mais profundo respeito. Não nos enfrentaremos", disse o governador em postagem.

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O governador gaúcho e Tasso são pré-candidatos no processo interno que tem também a participação do ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio e do governador João Doria, que larga em vantagem, já que São Paulo tem a maior fatia do colégio eleitoral tucano, o equivalente a 24%, segundo dados internos da sigla.

Enquanto Doria e Leite viajam o país nas prévias desde julho, Tasso visitou os filhos durante férias nos Estados Unidos e Virgílio também não fez qualquer evento. Até agora, os governadores do Rio Grande do Sul e de São Paulo são os que se movimentam de forma mais incisiva.

Segundo interlocutores, a “tendência natural” é que Jereissati passe o bastão a Leite. Os dois são próximos e fizeram uma espécie de pacto de não agressão. O plano era que o senador oficializasse seu apoio ao gaúcho em setembro, quando Tasso organizaria uma recepção para Leite em Fortaleza. O combinado, porém, acabou atravessado pela declaração de Doria ao programa Roda Viva.

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