Alexandre Figueiredo Costa
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Alexandre Figueiredo Costa

O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Alexandre Marques presta depoimento nesta terça-feira à CPI da Covid, no Senado. Ele é o autor de um documento usado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para questionar as notificações de mortes pelo coronavírus. Bolsonaro chegou a atribuir o material ao TCU, mas, em nota, a corte de contas negou que o relatório tenha sido produzido pelo órgão e informou que se tratava de "uma análise pessoal" do auditor.

Durante a oitiva, Alexandre Marques disse que só mandou o documento para seu pai, que encaminhou ao presidente Bolsonaro. O auditor também alegou que o documento foi utilizado indevidamente, já que não era relatório oficial do TCU. Assista abaixo.


Ainda de acordo com o depoente, não se trata de um relatório oficial, mas de um compilado de informações públicas elaborado para "provocar um debate junto à equipe de auditoria". Veja:


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Em depoimento que prestou no curso de um processo administrativo disciplinar (PAD) aberto contra ele no TCU, o próprio Marques criticou o que chamou de "irresponsabilidade" do presidente. Ele afirmou ainda que o material citado pelo presidente foi alterado.

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O documento apócrifo contesta o número de mortos por Covid-19 notificados no país em 2020. Afirma que o país teria registrado 80 mil mortes pela doença no ano passado, e não 195 mil. O auditor está lotado no setor do TCU que lida com inteligência e combate à corrupção. Quando começou a pandemia do novo coronavírus, ele pediu para acompanhar as compras com dinheiro público de equipamentos para o enfrentamento à doença.

Em 9 de junho, a CPI aprovou a convocação de Marques. No dia seguinte, quebrou seus sigilos telefônico e telemático. Paralelamente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o autorizou a não responder questionamentos que possam incriminá-lo. Investigado pelo TCU por meio do PAD, o servidor foi afastado de suas funções. O processo administrativo estava previsto para ser encerrado na semana passada, mas foi prorrogado por 30 dias. Com isso, ele continua impedido de trabalhar.

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