Deputado Federal Filipe Barros (PSL-PR), relator do projeto
Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Deputado Federal Filipe Barros (PSL-PR), relator do projeto

BRASÍLIA— Mesmo com a resistência de vários presidentes de partidos da base do governo, o grupo mais bolsonarista da Câmara insiste na adoção do voto impresso nas eleições de 2022. O deputado Filipe Barros (PSL-PR) apresentou seu relatório a favor desse sistema de votação na comissão especial nesta segunda. Como se trata de uma emenda à Constituição são necessários 308 votos no plenário da casa para que seja aprovado. E em dois turnos.

Com muitas críticas ao TSE, Barros afirmou que a urna usada hoje o país está ultrapassada, é de uma primeira geração. O tipo de voto que pretende adotar consiste na expedição de uma cédula onde vai impresso os números dos candidatos escolhidos pelo eleitor. Ele garante que não há risco de quebrar o sigilo do nome do eleitor, que não irá aparecer. Esse voto impresso é conferido então pelo eleitor, que não toca no papel, e segue para uma urna específica.

— Não há contato físico, só visual com o papel. E esse voto não será violável, evidente. O que propomos é uma auditagem confiável — disse Filipe Barros.

O relator afirmou que seu texto não prevê o percentual dos votos no país que serão impressos em 2022, caso a proposta seja aprovada. Ele inseriu no texto que das cerca de 500 mil urnas eletrônicas do país, 250 mil - a metade — estão aptas a receberem uma impressora, que iria acoplada.

— Coloquei esse número, que pode ser um início de debate, que foi o que nos passou o TSE. Mas não tem previsão alguma de escalonamento ou algo assim. Estamos abertos ao diálogo — afirmou.

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A reunião virtual de onze presidente de partidos no último sábado, na qual fecharam posição contrária à adoção do voto impresso, gerou incômodo a bolsonaristas da comissão. Nesse encontro, participaram dirigentes de legendas que integram a base do governo, caso do senador Ciro Nogueira (PP) e Valdemar da Costa Netto (PL).

A autora do projeto do voto impresso, Bia Kicis (PSL-DF) se irritou com esse movimento contra sua proposta.

— Fomos atropelados com essa reunião dos presidentes de partidos, mas podemos reverter isso porque sabemos que os parlamentares querem o voto impresso — disse Kicis.

Contrária a essa ideia, Fernanda Melchionna (PSOL-RS), titular da comissão especial, criticou o projeto e diz que os defensores do presidente Jair Bolsonaro já estão pensando em "deslegitimar" as eleições de 2022.

— Qual q razão da extrema direita encampar essa ideia de votos impressos? Porque auditável, o voto já é hoje. O país tem um presidente de hoje que, mesmo eleito, diz que há fraude. Isso, a fraude, ele usou para vencer, isso sim. O que ele quer é criar uma cortina de fumaça para deslegitimar as eleições de 22, porque sabe que vai perder. É mais uma ação golpista —disse Melchionna.

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