Governador de São Paulo, João Doria
Reprodução: iG Minas Gerais
Governador de São Paulo, João Doria

Em São Paulo , o atual governador João Doria (PSDB), achou “uma afronta” a carta do ministro da Defesa, o general Walter Souza Braga Netto, que recomenda uma celebração do golpe militar de 1964 . As informações foram apuradas pelo Metrópoles. 

Na terça-feira (30), a Ordem do Dia foi divulgada no site do Ministério da Defesa. Texto faz menção ao “movimento de 31 de março de 1964”, dia em que militares tomaram o poder dando um golpe de estado . Ainda de acordo com a carta, as Forças Armadas tomaram a responsabilidade de acalmar e pacificar o país para que hoje, tivéssemos a liberdade democrática. 

“Não temos nada a comemorar pelo golpe de 64, temos é que chorar os mortos e os que foram silenciados por esta ditadura militar aqui no Brasil”, declarou o governador, na manhã de quarta-feira (31/3). 

Nitidamente incomodado, Doria ainda disse: “Muito triste depois de tantos anos termos manifestação dessa natureza”. 

“O Brasil não tem nada a comemorar do golpe de 64. Temos é que chorar o golpe e trabalhar na resistência democrática para que o Estado de Direito não seja vilipendiado, agredido com manifestação desta natureza e outras que possam flertar com a ditadura e o autoritarismo”, ressaltou. 

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“Eu, como governador de São Paulo, estarei na trincheira com os brasileiros que querem a democracia e a liberdade”, afirmou. 

O governador da cidade paulista ponderou que a ditadura foi um ato que silenciou muitos brasileiros. Segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade do ano de 2014, cerca de 434 pessoas morreram ou foram tidas como desaparecidas durante o regime militar

Segundo o general, “os brasileiros perceberam a emergência e se movimentaram nas ruas, com amplo apoio da imprensa, de lideranças políticas, das igrejas, do segmento empresarial, de diversos setores da sociedade organizada e das Forças Armadas”. 

“O movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil. Assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março”, disse ao finalizar texto. 

Doria foi questionado por uma jornalista sobre a carta. Ele disse que em situações normais, não comentaria sobre mensagem do ministro, porém, ele não poderia se “furtar de comentar como filho de um deputado cassado pelo golpe militar de 64, que viveu 10 anos no exílio”. 

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