Bolsonaro
Marcos Corrêa/PR
Bolsonaro irá participar da posse de Fux nesta quinta-feira (10)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convidou o governador interino, Cláudio Castro (PSC), para viajar com ele no avião presidencial, nesta quinta-feira (10). Ambos participarão de um evento da Marinha, no Rio de Janeiro e, depois de almoçarem, voarão juntos para a capital federal para a posse do ministro Luiz Fux como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) . Castro, por sua vez, recepcionará Bolsonaro no aeroporto, na chegada do presidente ao Rio pela manhã.

As iniciativas reforçam a nova postura de cordialidade adotada pelos governos federal e estadual após o afastamento do governador Wilson Witzel (PSC), por suspeita de corrupção, determinado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Desde o início do ano, Witzel vinha tentando agenda com Bolsonaro, mas não conseguiu ser recebido no Planalto. Em junho, o governador chegou a pedir publicamente, em uma entrevista, que o presidente o "recebesse para conversar sobre vários problemas", como o Regime de Recuperação Fiscal e os royalties de petróleo. Witzel chegou a parar de fazer críticas a Bolsonaro e disse que seus comentários foram "sempre respeitosos".

O GLOBO, contudo, antecipou que Bolsonaro não iria recebê-lo, pois não digeriu um comentário de Witzel feito quando o governador foi alvo de busca e apreensão. Depois de alegar ser vítima de perseguição do governo federal, Witzel afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) "já deveria estar preso", por conta de investigações do Ministério Público do Rio sobre o caso da rachadinha. Se Witzel acusou Bolsonaro de interferir na PF, o núcleo do presidente avalia que o governador atuou para prejudicar Flávio junto ao MP fluminense.

Depois de assumir o governo no lugar Witzel , Castro recebeu uma ligação de Flávio se comprometendo a ajudá-lo na renovação do Regime de Recuperação Fiscal, pauta prioritária para o Palácio Guanabara, pois permite a suspensão das dívidas com a União até 2023. Foi Flávio quem articulou o encontro de Castro com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia 3. Após a reunião, Castro conseguiu aumentar em até seis meses o prazo, que expiraria sábado, para a União decidir se renovará ou não o acordo.

A viagem no avião presidencial é significativa, pois revela que Castro terá acesso a Bolsonaro, algo que o presidente vinha negando a Witzel após a ruptura entre os governos federal e estadual.

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