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Moro e Bolsonaro


O presidente Jair Bolsonaro enviou uma mensagem ao então ministro da Justiça Sergio Moro , em 12 de abril deste ano, afirmando que ele tivesse a "dignidade para se demitir" caso desejasse contrariar suas posições . A conversa foi obtida pela Polícia Federal no celular do ex-ministro, entregue para auxiliar no inquérito que apura interferências indevidas do presidente na PF. O diálogo ocorreu doze dias antes de Moro pedir demissão .


A mensagem de Bolsonaro se referia a uma reportagem do jornal "Valor Econômico" mostrando que, ao contrário da Advocacia-Geral da União (AGU), Moro entendia que a polícia poderia prender presas que descumprissem o isolamento no combate ao coronavírus.

"Se esta matéria for verdadeira: todos os ministros, caso queira contrariar o PR, pode fazê-lo, mas tenha dignidade para se demitir ", escreveu Bolsonaro ao seu então ministro da Justiça.

Em resposta, Moro afirmou que não conversou com a imprensa a respeito do assunto, mas disse que a legislação permitia que a prisão ocorresse . "O que existe eh o art 268 do CP. Não falei com imprensa", respondeu o então ministro.

Em outro diálogo, mantido por Moro com a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), ele defende a permanência do diretor-geral da PF Maurício Valeixo citando que Valeixo foi responsável por manter preso o ex-presidente Lula quando houve uma decisão liminar por sua soltura proferida por um desembargador do Tribunal Regional Federal da 4ª Região durante o plantão.

Nessa conversa, do dia 17 de abril, Zambelli tenta convencer o então ministro a concordar com a substituição de Valeixo. "Ministro, como usual vou usar de 100% de sinceridade. O Or. Valeíxo é o homem certo paradingir a PF?", questionou ela.

Moro respondeu: "O Valeixo manteve a prisão do Lula diante da ordem ilegal de soltura do Des. Ia do RS. Se algo demora da LV no STF não é pelaPF mas de outras pessoas".

Zambelli sugere ao ex-ministro que conversasse com Bolsonaro a respeito do assunto "e explique tudo isso". "Já foi falado um milhão de vezes", responde Moro.

Na noite do dia 23 de abril, véspera do seu pedido de demissão , quando já circulava nos bastidores a intenção de Bolsonaro demitir Valeixo , Zambelli enviou uma mensagem pedindo que o ministro não deixasse o governo. "O PR (presidente) não quer que vc saia". Moro respondeu: "Nem eu quero sair mas preciso de condições de trabalho".

No dia seguinte, entretanto, Bolsonaro publicou a exoneração de Valeixo e o ministro fez seu pedido público de demissão, acusando o presidente de tentar interferir indevidamente na PF.

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