O presidente Jair Bolsonaro mostra caixas de hidroxicloroquina e Annita em trecho de live
Reproudção/Facebook
O presidente Jair Bolsonaro mostra caixas de hidroxicloroquina e Annita em trecho de live

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o uso de medicamentos sem comprovação científica ou necessidade de seguir orientações da bula no tratamento de doenças. A declaração foi feita na manhã desta segunda-feira (20), em sua conta oficial do Twitter .

"É importante lembrar que o uso off label (fora da bula) de medicamentos é consagrado na medicina, desde que haja clara concordância do paciente. E que, sem a prática do off label, diversas doenças ainda estariam sem tratamento", escreveu Bolsonaro, que citou um trecho descontextualizado de uma das publicações da Associação Médica Brasileira (AMB).

No texto, a AMB trata de forma específica sobre a hidroxicloroquina e reforça que "não existem estudos seguros" sobre a eficiência do tratamento da Covid-19.

"Médicos, entidades, políticos, influenciadores e palpiteiros seguem monitorando estudos sobre o uso de hidroxicloroquina em pacientes acometidos pela covid-19. Uns procurando provas de que se trata da salvação. Outros, de que é puro placebo. Ou pior: veneno (mesmo diante do fato de que os efeitos adversos são limitados e conhecidos há mais de cinco décadas). Muitos sairão da pandemia apequenados, principalmente médicos e entidades médicas que escolherem manipular a ciência para usá-la como arma no campo político-partidário", diz o texto.

No fim do texto, a AMB fala sobre o " off label " de medicamentos e diz que "não se trata de apologia", mas de "respeito aos padrões éticos e científicos construídos ao longo dos séculos".

"Não podemos permitir que ideologias e vaidades, de forma intempestiva, alimentadas pelos holofotes, nos façam regredir em práticas já tão respeitadas. Não se pode clamar por ciência e adotar posicionamentos embasados em ideologia ou partidarismo, ignorando práticas consolidadas na medicina. Isso é um crime contra a medicina, contra os pacientes e, sobretudo, contra a própria ciência", conclui a publicação, que vai ao encontro do que Bolsonaro orientou nas redes.

Isolado após contrair a Covid-19 , Bolsonaro chegou a fazer propagandas de fármacos não recomendados por especialistas para tratar o novo coronavírus. 

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