Carla Zambelli
Divulgação/Assessoria de imprensa de Carla Zambelli
Carla Zambelli começou sua trajetória em 2011, quando criou o movimento Nas Ruas

Associada a  receber informações vazadas da Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira (25) e alvo do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta (27), a deputada federal e fiel aliada do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Carla Zambelli (PSL-SP) está no centro das crises políticas desde a saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Leia também: PSOL pede cassação de Carla Zambelli por oferecer vaga no STF a Moro

Entre as polêmicas atuais que rondam Zambelli , está a operação deflagrada nesta quarta-feira (27) pela PF sobre notícias falsas contra o STF. A deputada não esteve na mira direta dessa primeira operação e não recebeu mandado de busca e apreensão. Mas ela é citada como um dos alvos no inquérito que está no STF.

Zambelli se posicionou nas redes sociais afirmando que o inquérito é "ilegal e inconstitucional" e que "estamos vivendo um estado de exceção". Sua assessoria de imprensa afirma que "até o momento, não nos chegaram comunicados oficiais para que a deputada preste depoimento no âmbito do inquérito inconstitucional movido pelo STF ".

Nesta segunda- feira (25), véspera da deflagração da operação que mirava o governador Wilson Witzel (PSC-RJ), ela também foi alvo de controvérsias. Zambelli afirmou, na segunda, que "a gente deve ter nos próximos meses o que a gente vai chamar, talvez, de ‘Covidão’. Mas já tem alguns governadores sendo investigados pela Polícia Federal”. No dia seguinte, Witzel foi algo da operação da PF.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pediu nesta quarta (27) que o Ministério Público Federal (MPF) investigue o suposto vazamento da operação de Witzel. 

Moro e Zambelli arrow-options
Reprodução
Moro foi padrinho de casamento de Zambelli, mas atualmente os dois estão afastados

Zambelli também foi apontada por Moro de tentar "vender" uma vaga no STF . Em uma troca de mensagens, divulgada pelo ex-ministro no dia em que pediu demissão, ele respondeu "prezada, não estou a venda" após ela ter escrito "vá em setembro para o STF. Eu me comprometo a ajudar, a fazer o JB [Jair Bolsonaro] prometer”, para convencê-lo de aceitar a troca no comando da PF .

"Ela se notabiliza por publicamente ostentar posições que são bastante polêmicas e por nos bastidores tentar fazer articulações como a que ela tentou recentemente para a permanência do ex-ministro Sergio Moro ", explica a pesquisadora da PUC-SP Rosemary Segurado, doutora em ciências sociais com pós-doutorado em comunicação política.

"Ela é o tipo que a gente chama de alpinista social, quando pessoas querem se aproveitar de um conjunto de relações para uma ascensão. Só que ela é uma alpinista no campo da política e nos últimos anos vem se aproximando cada vez mais de grupos de direita e extrema direita", analisa Segurado.

Leia também: Zambelli disse a Moro que Bolsonaro "cairia" com demissão, mas apagou mensagem

"Sempre quando dá declarações à mídia, ela gosta de ostentar que ela tá nesse bastidor [da política] e por isso ela é bem informada. Inclusive, ela anuncia a operação da PF na casa do governador Wilson Witzel. E essas operações supostamente são operações sigilosas . Mas ela faz questão de dizer que está informada", analisa.

Veja a trajetória e as principais polêmicas de Carla Zambelli :


Proximidade com Bolsonaro

Bolsonaro e Zambelli arrow-options
Divulgação/Assessoria de imprensa de Carla Zambelli
Carla Zambelli se aproximou de Bolsonaro a partir de outubro de 2019

Carla Zambelli passou a ter mais notoriedade e conseguiu estabelecer laços mais próximos com Bolsonaro após o rompimento, em outubro de 2019, do presidente com a deputada federal  Joice Hasselmann [PSL-SP], segundo a doutora em ciências sociais.

"Ela acabou ocupando esse lugar de proximidade que a Joice Hasselmann tinha do presidente e dos seus filhos", afirma Rosemary Segurado. "A Hasselmann começa a perder notoriedade nesse campo da direita e da extrema direita e é quando a gente começa a perceber a projeção e a ascensão ainda maior – não que a Zambelli não fosse importante, mas ela começa a se acentuar ainda mais".

De militante a deputada

Carla Zambelli
Divulgação/PSL na Câmara
Carla Zambelli se define como liberal na economia e conservadora nos costumes

Zambelli começou sua carreira política em 2011, quando formou o movimento ativista Nas Ruas , e ganhou notoriedade em 2015, durante os protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma (PT), muitos organizados por ela. Foi eleita em 2018 com 76.306, sendo a 57º mais votada dos 70 deputados eleitos por São Paulo.

"É o que a gente chama de um outsider na política, sem uma trajetória partidária, sólida, consistente, mas que ganha uma projeção importante em alguns momentos", explica a pesquisadora Rosemary Segurado.

Para a doutora em ciências sociais, do começo da trajetória de Zambelli até os dias atuais ela tem se aproximando do ideário de direita e, principalmente, da extrema direita . Ela liga sua crescente projeção à ascensão da direita extremista desde as manifestações de 2013.

"É uma trajetória bastante antidemocrática e bastante lamentável para nosso país", afirma Segurado sobre a deputada .

Veja Zambelli em ato pelo Nas Ruas :

Confira Carla Zambelli em manifestações do Nas Ruas contra o STF em 2019, mesmo depois de deixar movimento:

Leia também: Padrinho de casamento de Carla Zambelli, Moro elogia deputada: “guerreira”

$





    Veja Também

      Mostrar mais