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Agência O Globo
Ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva

Após participar de outra manifestação de apoio ao governo na Esplanada dos Ministérios, o presidente Jair Bolsonaro caminhou ao lado de alguns apoiadores e do ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, para participar uma cerimônia de arriamento da bandeira em frente ao Palácio da Alvorada.

Em live transmitida nas suas redes sociais, Bolsonaro declarou que o ministro sabe "fazer valer as Forças Armadas" e que o "maior exército é o povo". Apesar do uso ser obrigatório no Distrito Federal, o presidente continuou sem usar as máscaras de proteção contra o novo coronavírus, assim como na manifestação.

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"Nos momentos que a nação precisa ele sabe como fazer valer as Forças Armadas em defesa da democracia e da liberdade. Nosso maior exercito é o povo. Sempre estiveram ao lado do povo, democracia, da lei e da ordem. As Forças Armadas pertencem ao Brasil, não ao presidente. Sempre voltadas para os interesses da nação e ao lado do bem e da ordem".

A declaração ocorre no mesmo dia em que Fernando Azevedo e Silva endossou o posicionamento do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno sobre o pedido de apreensão do celular do presidente. Heleno afirmou que a apreensão seria uma "afronta à autoridade máxima do Poder Executivo e interferência inadmissível de outro Poder" e que "poderá ter consequências imprevisíveis". Partidos de oposiçao e a OAB interpretaram a declaraçao do ministro como uma ameaça golpista.

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No vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, divulgado nesta sexta-feira pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello, Bolsonaro declarou que queria "todo mundo armado" para evitar uma ditadura.

"Olha, eu tô, como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né? Eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assine essa portaria hoje e que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não da pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais", disse Bolsonaro, segundo a transcrição do vídeo feita por peritos da PF.

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Na véspera, o governo publicou uma portaria que elevava a quantidade de munições que civis com posse e porte de arma podem comprar. O volume autorizado, que era de 200 cartuchos por ano, passou a ser de até 300 unidades por mês, a depender do calibre do armamento.

Bolsonaro voltou a dizer que a reunião ministerial era considerada secreta e que poderia ter destruído a gravação porque não era um encontro "formal e oficial".

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"Classificamos como secreto aquele encontro. Nem precisava, poderia ter destruído a fita porque não era um encontro formal, oficial. Podia ter destruído a fita, mas decidimos manter", afirmou o presidente. Ao retornar para o Palácio da Alvorada, Bolsonaro voltou a cumprimentar militantes, pegando o celular de algumas pessoas para fazer as fotos pedidas. Sem falar com a imprensa, entrou no palácio.

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